Ouro fecha semana em alta apesar de juros mais altos nos EUA e tensão geopolítica

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções2 minutos atrás11 Visualizações

O preço do ouro voltou a subir nesta sexta-feira (24) e encerrou a semana com valorização de 1,3%, cotado a US$ 4.070,8 por onça-troy (cerca de 31,1 g) no contrato para agosto negociado na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York. O movimento compensou a queda de 2% da véspera e ocorreu em meio ao recuo dos preços do petróleo.

Geopolítica no pano de fundo

A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã continua presente nas mesas de operação, mas não exerceu pressão negativa relevante sobre o metal precioso. Em cenários de conflito, o ouro costuma ser visto como “porto seguro”, mas nesse caso o impacto foi suavizado pela atenção redobrada do mercado aos juros norte-americanos.

Foco volta para a política monetária do Fed

De acordo com a Capital Economics, a inflação dos EUA em junho veio mais comportada, o que dá ao Federal Reserve margem para observar a evolução dos preços antes de decidir os próximos passos. Mesmo assim, a casa de análise projeta que as pressões inflacionárias permanecerão “persistentes” e que o banco central norte-americano promoverá um aumento de 0,25 ponto percentual em setembro, já precificado pelos contratos futuros.

Para investidores de ouro, essa expectativa importa porque juros mais altos elevam o rendimento dos títulos públicos dos EUA — concorrentes diretos do metal, que não paga cupom. Quando o retorno dos Treasuries sobe, o custo de oportunidade de manter posições em ouro aumenta e tende a limitar o avanço das cotações.

Dólar firme sustenta cautela

A possibilidade de um Fed mais agressivo reforça o dólar no mercado internacional. Uma moeda americana forte torna o ouro mais caro para quem opera em outras divisas, o que também costuma inibir a demanda. Analistas do Swissquote observam que a combinação de juros elevados e energia mais cara — o barril do WTI voltou a superar US$ 90 — deve manter o dólar sustentado enquanto o quadro no Oriente Médio permanecer instável.

Prata acompanha e lidera ganhos

No mesmo pregão, a prata para setembro avançou 1,47%, fechando a US$ 58,906 por onça-troy. O metal branco acumulou alta de 4,6% na semana, desempenho superior ao do ouro. Além de atuar como reserva de valor, a prata tem forte uso industrial, o que a torna sensível a expectativas de atividade econômica e custos de energia.

O que o investidor brasileiro deve observar

  • Câmbio: O ouro é cotado em dólares; assim, oscilações do real frente à moeda americana podem amplificar ou reduzir ganhos em reais.
  • Juros globais: Decisões do Fed influenciam preços de metais e de ativos de renda fixa no mundo todo, inclusive papéis atrelados ao CDI e à Selic.
  • Relação risco–retorno: Em períodos de incerteza geopolítica ou inflação resiliente, o ouro costuma ser usado para diversificar carteiras. Porém, juros elevados podem limitar o potencial de valorização.
  • Instrumentos de acesso: No Brasil, a exposição ao metal pode ocorrer via fundos, ETFs listados na B3 ou contratos futuros, cada um com custos e características próprias.

Para a próxima semana, a expectativa majoritária é de manutenção dos juros pelo Fed, mas investidores seguirão atentos a qualquer sinal de aperto adicional. Até lá, as cotações do ouro devem continuar sensíveis à trajetória do dólar, dos rendimentos dos Treasuries e às manchetes sobre Oriente Médio.

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