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O preço do ouro voltou a subir nesta sexta-feira (24) e encerrou a semana com valorização de 1,3%, cotado a US$ 4.070,8 por onça-troy (cerca de 31,1 g) no contrato para agosto negociado na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York. O movimento compensou a queda de 2% da véspera e ocorreu em meio ao recuo dos preços do petróleo.
A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã continua presente nas mesas de operação, mas não exerceu pressão negativa relevante sobre o metal precioso. Em cenários de conflito, o ouro costuma ser visto como “porto seguro”, mas nesse caso o impacto foi suavizado pela atenção redobrada do mercado aos juros norte-americanos.
De acordo com a Capital Economics, a inflação dos EUA em junho veio mais comportada, o que dá ao Federal Reserve margem para observar a evolução dos preços antes de decidir os próximos passos. Mesmo assim, a casa de análise projeta que as pressões inflacionárias permanecerão “persistentes” e que o banco central norte-americano promoverá um aumento de 0,25 ponto percentual em setembro, já precificado pelos contratos futuros.
Para investidores de ouro, essa expectativa importa porque juros mais altos elevam o rendimento dos títulos públicos dos EUA — concorrentes diretos do metal, que não paga cupom. Quando o retorno dos Treasuries sobe, o custo de oportunidade de manter posições em ouro aumenta e tende a limitar o avanço das cotações.
A possibilidade de um Fed mais agressivo reforça o dólar no mercado internacional. Uma moeda americana forte torna o ouro mais caro para quem opera em outras divisas, o que também costuma inibir a demanda. Analistas do Swissquote observam que a combinação de juros elevados e energia mais cara — o barril do WTI voltou a superar US$ 90 — deve manter o dólar sustentado enquanto o quadro no Oriente Médio permanecer instável.
Imagem: Anna Scabello
No mesmo pregão, a prata para setembro avançou 1,47%, fechando a US$ 58,906 por onça-troy. O metal branco acumulou alta de 4,6% na semana, desempenho superior ao do ouro. Além de atuar como reserva de valor, a prata tem forte uso industrial, o que a torna sensível a expectativas de atividade econômica e custos de energia.
Para a próxima semana, a expectativa majoritária é de manutenção dos juros pelo Fed, mas investidores seguirão atentos a qualquer sinal de aperto adicional. Até lá, as cotações do ouro devem continuar sensíveis à trajetória do dólar, dos rendimentos dos Treasuries e às manchetes sobre Oriente Médio.
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