
As ações da Ambev (ABEV3) caíam nesta quinta-feira (30), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), mesmo com lucro líquido de R$ 3,47 bilhões, alta de 24,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. No resultado ajustado, o lucro foi de R$ 3,49 bilhões.
Por volta das 13h40, no horário de Brasília, os papéis ABEV3 recuavam 1,76%, cotados a R$ 15,62. A reação negativa ocorreu porque o desempenho, embora positivo em algumas linhas, não superou as expectativas na medida esperada pelo mercado.
A receita líquida da companhia somou R$ 20,14 bilhões entre abril e junho, avanço de 0,3% na comparação anual. O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 6,37 bilhões, alta de 3,6% sobre o segundo trimestre de 2025.
A margem Ebitda avançou 100 pontos-base e chegou a 31,6%. De acordo com a empresa, o crescimento do lucro foi impulsionado pelo aumento do Ebitda e pela redução das despesas financeiras líquidas. Esse efeito foi parcialmente compensado por uma despesa maior com imposto de renda.
O BTG Pactual classificou o conjunto dos resultados operacionais como, em geral, satisfatório. O banco destacou ganhos de participação de mercado em geografias-chave e margens beneficiadas por uma contribuição maior de “outras receitas operacionais”.
Para o BTG, o trimestre não ficou acima das expectativas como poderia. Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra para a ação. Os analistas lembraram que haviam elevado recentemente sua avaliação sobre o papel, apoiados na visão de que a Ambev está recuperando a capacidade de repassar preços, com suporte de um portfólio de marcas considerado vencedor.
Na avaliação do banco, o segundo trimestre continuou nessa direção, com sinais de recuperação de participação de receita. Desta vez, porém, esse avanço parece ter sido mais concentrado em volume do que em preço.
“Não foi um trimestre excepcional, nem um que acreditamos que resultará em revisões relevantes de lucros para cima. Mas ele preserva as qualidades que enxergamos como sustentação de nossa tese”, afirmaram os analistas.
O BTG também destacou que o retorno sobre o capital investido, conhecido pela sigla ROIC, foi o maior para um segundo trimestre em sete anos. Na visão dos analistas, o dado confirma uma tendência positiva de geração de valor, considerada essencial para um desempenho positivo do preço da ação e para a manutenção de múltiplos premium.
Os analistas da XP Investimentos já esperavam uma reação negativa dos papéis no dia do balanço. Segundo eles, o otimismo acumulado ao longo do trimestre não acabou refletido nos números apresentados pela companhia.
A XP também apontou que o período teve uma base de comparação fácil e vê uma dinâmica semelhante para o terceiro trimestre. Para os analistas, o clima deve voltar ao centro das atenções ao longo do segundo semestre do ano.
O Citi, por sua vez, avaliou que a Ambev entregou mais um resultado acima das expectativas, mesmo após ajustes por itens não recorrentes. A leitura do banco, contudo, foi diferente entre as linhas do balanço: a receita líquida ficou 2% abaixo da estimativa do próprio Citi, chamada de CitiE, e 3% abaixo do consenso de mercado.
O Ebitda normalizado veio em linha com a estimativa do Citi, enquanto o lucro líquido superou tanto a CitiE quanto o consenso em aproximadamente 15%. Depois de ajustar cerca de R$ 115 milhões em receitas operacionais adicionais classificadas em “outras receitas operacionais” e considerar um resultado financeiro mais forte, o banco estimou que o lucro líquido subjacente ainda ficou 8% acima do consenso.
Para o Citi, o principal debate deve se concentrar na operação de Cerveja Brasil. O volume cresceu 5,0% na comparação anual, abaixo da estimativa de 5,8% do banco e do que os analistas acreditam ser a expectativa do mercado, próxima de 7%.
O Citi afirmou que a qualidade da surpresa positiva nos resultados ainda deve ser debatida. Mesmo assim, avaliou que o desempenho operacional subjacente foi mais forte do que os números sugerem à primeira vista, sustentado por uma dinâmica favorável entre preços e custos, execução disciplinada das despesas e continuidade dos ganhos de participação de mercado.
Assim, o balanço combinou lucro e indicadores operacionais em alta com uma receita praticamente estável e volumes de cerveja no Brasil abaixo das expectativas citadas pelo Citi. Essa combinação ajuda a explicar por que a ação recuava no pregão apesar do crescimento expressivo do lucro líquido.
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