Selic cai para 14%: veja a reação esperada para Ibovespa, juros futuros e dólar

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções22 minutos atrás8 Visualizações

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), foi unânime e veio em linha com o que era esperado pelo mercado. Agora, os investidores avaliam como a mudança pode repercutir no Ibovespa, nos juros futuros e no dólar no pregão desta quinta-feira (6).

A decisão já havia sido assimilada pelos mercados. Por volta das 19h (horário de Brasília), o EWZ, fundo negociado no exterior que replica o desempenho do índice MSCI Brasil, avançava 0,30%, a US$ 36,22. No pregão regular, o índice havia encerrado com alta de 0,06%, a US$ 36,11.

Para Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, esse desempenho sugere que o Ibovespa pode reagir de forma mais amena à decisão do Copom. Na avaliação dele, o ambiente externo deve continuar influenciando o comportamento do principal índice da bolsa brasileira.

Na quarta-feira (5), o Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,09%, aos 177.726,17 pontos.

Juros futuros devem ter reação moderada

A equipe da Warren Rena não espera uma reação relevante no mercado de juros futuros em consequência direta do corte da Selic. A avaliação foi apresentada pelos estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró.

Para eles, o Copom tomou uma decisão alinhada à precificação majoritária do mercado. Embora tenha reforçado uma mensagem de cautela na condução da política monetária, o Comitê continuou sinalizando que poderá prosseguir com o processo de calibragem caso haja espaço.

Gabriel Santos, head de research da Bloxs, também afirmou que a reação da curva de juros tende a depender mais do tom do comunicado do que do corte em si. Como o documento manteve uma postura de serenidade e cautela, a leitura apresentada por ele foi de um cenário “mais neutro para levemente conservador”.

Antes da decisão, a curva a termo já precificava um corte de 15 pontos-base na reunião de setembro. A curva a termo reúne as taxas negociadas para períodos futuros e, neste caso, refletia a expectativa do mercado para os próximos passos dos juros.

O texto registra ainda que a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, descrita como de curtíssimo prazo, fechou a 13,770%, ante 14,786% do ajuste anterior. O material informa uma queda de quase 3 pontos-base, embora a diferença entre os valores registrados seja maior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2036, classificada como de longo prazo, terminou em 14,315%, ante 13,375% no fechamento de 4 de agosto. O texto descreve esse movimento como uma queda de 6 pontos-base, embora os valores apresentados indiquem uma diferença em outra direção.

Dólar recua levemente e real segue apoiado pelos juros

O dólar à vista encerrou a sessão de quarta-feira a R$ 5,1282, com recuo de 0,05%, em movimento alinhado ao índice DXY.

Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, afirmou que o real deve continuar beneficiado pelo diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil. Para ele, “as tendências de curto prazo devem se manter no câmbio”.

Essa avaliação é uma expectativa para o comportamento da moeda, e não uma garantia de direção para o dólar. O material não apresenta uma nova projeção numérica para a cotação.

O que mudou no comunicado do Copom

Na decisão, o Copom declarou que a redução da taxa básica de juros para 14% ao ano é compatível com a estratégia de convergência da inflação para perto da meta ao longo do horizonte relevante.

O colegiado também deixou o comunicado mais curto em relação ao documento de junho, após o que foi descrito como um ruído causado pelo excesso de informações. Foi retirada a afirmação de que um período prolongado de manutenção da Selic em nível contracionista havia produzido evidências da transmissão da política monetária para a desaceleração da atividade econômica.

Ao mesmo tempo, os diretores do Banco Central reafirmaram que a magnitude total do ciclo de calibração será definida à luz de novas informações, em razão da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços. A mensagem mantém a possibilidade de novos movimentos, mas condiciona essa trajetória aos dados que ainda serão divulgados.

O horizonte relevante do Comitê também foi alterado: passou do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028.

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