
Os juros futuros brasileiros tiveram um pregão de recuo nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, com pesquisas eleitorais e sinais de desaceleração econômica entre os fatores acompanhados pelo mercado. O movimento destoou do comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, durante a maior parte das negociações. Há, porém, uma inconsistência nos dados do contrato brasileiro para janeiro de 2027: as taxas informadas não correspondem à queda registrada no balanço do dia.
Na avaliação de André Shiokawa, gestor de renda fixa e moedas da Asset1, dois elementos concentram a atenção na curva de Depósito Interfinanceiro (DI): o noticiário político e a perda de ritmo da economia. Neste segundo caso, o gestor destaca a preocupação de que as condições de crédito possam aprofundar a desaceleração.
Para Shiokawa, os levantamentos eleitorais foram o principal fator de influência sobre a curva de juros futuros tanto na sexta-feira quanto ao longo da semana.
Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, avalia que o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) é percebido como um pouco mais fiscalista, isto é, mais voltado ao controle das contas públicas, do que o atual governo. Na leitura do executivo, pesquisas que mostram uma disputa mais apertada abrem espaço para a queda dos juros.
Os três levantamentos citados apontaram mudanças na disputa de segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
Garcia também atribui suporte ao recuo das taxas aos indicadores de atividade em desaceleração, à inflação corrente mais baixa e às expectativas que, em sua avaliação, permanecem relativamente estáveis.
Na sexta-feira, a XP Investimentos reduziu de 2% para 1,7% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A instituição apontou uma antecipação da desaceleração que esperava para o ano seguinte.
Embora a abertura do balanço do pregão indique queda em todos os vencimentos, o detalhamento do contrato de curtíssimo prazo apresenta números incompatíveis com essa descrição. Os registros informados foram:
Também há uma divergência temporal no registro do vencimento de 2036: a taxa anterior é associada à expressão “última quinta-feira (20)”, enquanto o pregão relatado é o de sexta-feira, 4 de setembro.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries subiram após o relatório de emprego apresentar um resultado muito acima das projeções do mercado. Os números reforçaram a perspectiva de que o Fed poderá manter ou até elevar os juros para conter a inflação.
Segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), a economia norte-americana criou 162 mil vagas em agosto. O relatório, divulgado na sexta-feira, também mostrou que a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.
Por volta das 18h05, no horário de Brasília, o rendimento do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, estava em 4,391%, ante 4,334% no ajuste anterior. No mesmo horário, o título de dez anos rendia 4,784%, contra 4,762% na quinta-feira. Esse prazo é referência nos EUA para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito.
Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, o payroll, relatório de emprego norte-americano, reforça a avaliação de uma economia forte e resiliente. Segundo ele, a atividade continua crescendo apesar de episódios de volatilidade, como as tarifas de Donald Trump e o choque no preço do petróleo provocado pela guerra no Irã.
Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma elevação dos juros pelo Fed em setembro passou de cerca de 50,4% para 58% na sexta-feira.
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