Juros futuros recuam com pesquisas eleitorais e desaceleração no radar

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções17 minutos atrás7 Visualizações

Os juros futuros brasileiros tiveram um pregão de recuo nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, com pesquisas eleitorais e sinais de desaceleração econômica entre os fatores acompanhados pelo mercado. O movimento destoou do comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, durante a maior parte das negociações. Há, porém, uma inconsistência nos dados do contrato brasileiro para janeiro de 2027: as taxas informadas não correspondem à queda registrada no balanço do dia.

Na avaliação de André Shiokawa, gestor de renda fixa e moedas da Asset1, dois elementos concentram a atenção na curva de Depósito Interfinanceiro (DI): o noticiário político e a perda de ritmo da economia. Neste segundo caso, o gestor destaca a preocupação de que as condições de crédito possam aprofundar a desaceleração.

Pesquisas eleitorais e atividade econômica orientam o mercado

Para Shiokawa, os levantamentos eleitorais foram o principal fator de influência sobre a curva de juros futuros tanto na sexta-feira quanto ao longo da semana.

Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, avalia que o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) é percebido como um pouco mais fiscalista, isto é, mais voltado ao controle das contas públicas, do que o atual governo. Na leitura do executivo, pesquisas que mostram uma disputa mais apertada abrem espaço para a queda dos juros.

Os três levantamentos citados apontaram mudanças na disputa de segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

  • DataFolha: a pesquisa divulgada na quinta-feira mostrou que a distância entre Lula e Flávio passou de quatro para dois pontos percentuais desde agosto.
  • Quaest: o levantamento divulgado na mesma semana indicou redução da vantagem do petista de três para um ponto percentual em relação à rodada de 14 de agosto.
  • PoderData/Aya: Flávio apareceu pela primeira vez à frente de Lula no segundo turno, com 45% contra 44%.

Garcia também atribui suporte ao recuo das taxas aos indicadores de atividade em desaceleração, à inflação corrente mais baixa e às expectativas que, em sua avaliação, permanecem relativamente estáveis.

Na sexta-feira, a XP Investimentos reduziu de 2% para 1,7% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A instituição apontou uma antecipação da desaceleração que esperava para o ano seguinte.

Taxas de DI e divergências nos registros do pregão

Embora a abertura do balanço do pregão indique queda em todos os vencimentos, o detalhamento do contrato de curtíssimo prazo apresenta números incompatíveis com essa descrição. Os registros informados foram:

  • Janeiro de 2027, de curtíssimo prazo: fechamento em 13,575%, ante 13,567% na sessão anterior, acompanhado da indicação de baixa de 12 pontos-base. A taxa final apresentada, entretanto, é superior à anterior, e não inferior.
  • Janeiro de 2029, de médio prazo: encerramento em 13,840%, contra 13,883% no fechamento anterior, com recuo de mais de 4 pontos-base.
  • Janeiro de 2036, de longo prazo: taxa final de 14,200%, ante 14,285%, com queda de 8,5 pontos-base.

Também há uma divergência temporal no registro do vencimento de 2036: a taxa anterior é associada à expressão “última quinta-feira (20)”, enquanto o pregão relatado é o de sexta-feira, 4 de setembro.

Emprego nos EUA sustenta alta dos rendimentos dos Treasuries

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries subiram após o relatório de emprego apresentar um resultado muito acima das projeções do mercado. Os números reforçaram a perspectiva de que o Fed poderá manter ou até elevar os juros para conter a inflação.

Segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), a economia norte-americana criou 162 mil vagas em agosto. O relatório, divulgado na sexta-feira, também mostrou que a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.

Por volta das 18h05, no horário de Brasília, o rendimento do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, estava em 4,391%, ante 4,334% no ajuste anterior. No mesmo horário, o título de dez anos rendia 4,784%, contra 4,762% na quinta-feira. Esse prazo é referência nos EUA para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, o payroll, relatório de emprego norte-americano, reforça a avaliação de uma economia forte e resiliente. Segundo ele, a atividade continua crescendo apesar de episódios de volatilidade, como as tarifas de Donald Trump e o choque no preço do petróleo provocado pela guerra no Irã.

Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma elevação dos juros pelo Fed em setembro passou de cerca de 50,4% para 58% na sexta-feira.

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