Alckmin diz que retorno da Venezuela ao Mercosul voltará à mesa de negociações

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Brasília, 22.abr.2026 – O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou nesta quarta-feira (22) que a suspensão da Venezuela no Mercosul deve ser reavaliada pelos quatro países membros do bloco – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

“A Venezuela está suspensa, mas vive um novo momento; isso será rediscutido”, disse Alckmin, em entrevista concedida a agências internacionais.

Contexto venezuelano

A Venezuela foi afastada do Mercosul em 2017 por violar a cláusula democrática e deixar de cumprir obrigações econômicas. Em 3 de janeiro deste ano, o então presidente Nicolás Maduro foi deposto após intervenção militar dos Estados Unidos, que o capturaram. A vice Delcy Rodríguez assumiu interinamente e restabeleceu relações diplomáticas com Washington em março.

Na semana passada, o FMI e o Banco Mundial reconheceram Delcy como liderança legítima e retomaram vínculos com Caracas.

Ampliação do bloco

Alckmin revelou ainda que a Colômbia manifestou interesse formal em aderir ao Mercosul, enquanto a Bolívia segue em processo de incorporação às regras do grupo.

Acordos em negociação

O vice-presidente informou que negociações de livre-comércio com Emirados Árabes Unidos e Canadá podem ser concluídas até dezembro.

Tratado Mercosul–União Europeia

O acordo com a União Europeia entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio. Segundo Alckmin, cerca de 5 mil produtos terão tarifa zero já no primeiro dia, iniciando um cronograma de eliminação total de tarifas em até 12 anos.

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Imagem: redir.folha.com.br

Projeções do governo indicam crescimento de 13% nas exportações brasileiras ao final da implementação, em 2038, com ganho de 26% para a indústria. Atualmente, o comércio bilateral soma US$ 100 bilhões anuais, com leve superávit europeu de US$ 500 milhões.

Estudo da Apex aponta incremento de até US$ 1 bilhão na balança comercial do Brasil no primeiro ano de vigência. O Ipea estima que as reduções tarifárias possam elevar o PIB nacional em 0,46% entre 2024 e 2040, acréscimo de US$ 9,3 bilhões.

Relações com os Estados Unidos

Em paralelo, Brasília tenta avançar nas tratativas com Washington. Apesar de decisão da Suprema Corte norte-americana ter derrubado a maioria das tarifas, seguem em vigor alíquotas de 50% para aço, alumínio e cobre, além de 25% sobre automóveis e autopeças.

O Brasil também é alvo de duas investigações sob a Seção 301 da lei de comércio dos EUA: uma global sobre trabalho análogo à escravidão e outra específica que envolve o Pix, desmatamento e ambiente digital de negócios. Delegação brasileira esteve recentemente em Washington para prestar esclarecimentos.

“Se necessário, voltaremos a explicar”, afirmou Alckmin, acrescentando que a “boa química” entre os presidentes Lula e Donald Trump pode facilitar acordos tarifários e não tarifários.

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