O café, uma das commodities mais presentes no dia a dia do brasileiro, subiu 13,2% somente nos primeiros dias de julho, segundo o Cepea/USP. A saca de 60 kg de arábica alcançou R$ 1.787,48, maior cotação em um mês. O movimento inverte a trajetória de queda vista no primeiro semestre e já desperta preocupação de repasse de preços ao consumidor no início de agosto, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
O que está acontecendo com o preço do café?
Depois de recuar até R$ 1.383,57 em 9 de junho, o arábica engatou sequência de altas. O robusta, variedade usada em blends e solúveis, também ganhou força: a saca passou de R$ 917,05 em abril para R$ 1.087,05 em três meses, variação de 18%.
Por que o movimento preocupa a indústria e o consumidor?
- Repasse ao varejo: a Abic indica que, se a volatilidade não devolver parte da alta, os custos começarão a aparecer nas gôndolas em agosto.
- Pressão sobre a inflação: o café faz parte do grupo “alimentos e bebidas” no IPCA. Em cenário de juros ainda altos, qualquer surpresa de preços torna mais delicada a condução da política monetária.
- Orçamento doméstico: o produto é item de consumo recorrente e pode reduzir a renda disponível para outras despesas quando sobe rápido.
Fatores por trás da disparada
- Clima desfavorável: chuvas acima da média entre maio e junho dificultaram colheita e secagem, afetando qualidade e oferta.
- Estoques globais baixos: o mercado esperava recomposição, mas ainda trabalha com nível reduzido de segurança, elevando a sensibilidade a qualquer notícia climática.
- El Niño: iniciado em junho, o fenômeno costuma alterar o regime de chuvas. Para o café, calor intenso e precipitação irregular podem comprometer a próxima florada.
Efeitos para o investidor
Embora não haja recomendação de compra ou venda, preços do café impactam:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
- Ações de torrefadores e varejistas: margens podem ficar pressionadas até que o repasse seja aceito pelo consumidor.
- Fundos e ETFs ligados a commodities agrícolas: a volatilidade tende a aumentar, exigindo atenção redobrada de quem expõe carteira a esse segmento.
- Inflação e renda fixa indexada: surpresa de preços em alimentos costuma repercutir nos índices que corrigem títulos públicos atrelados ao IPCA.
O que acompanhar daqui para frente
- Evolução do clima nas regiões produtoras: chuvas ou períodos secos fora do padrão podem mexer rapidamente com as cotações.
- Andamento da colheita e qualidade do grão: relatórios de cooperativas e do Cepea ajudam a medir o tamanho real da oferta.
- Próxima decisão de juros do Banco Central: se a inflação de alimentos ganhar força, o ritmo de cortes na Selic pode ser revisto.
- Taxa de câmbio: o café é negociado em dólar no mercado externo; variação cambial pode ampliar ou amenizar pressões internas.
Para o investidor iniciante, vale acompanhar como a dinâmica de commodities agrícolas se relaciona com inflação, juros e desempenho de empresas ligadas ao agronegócio, sem perder de vista a diversificação de carteira e o próprio perfil de risco.