A Secret Network, rede focada em contratos inteligentes com privacidade, submeteu à comunidade uma proposta para abandonar o ecossistema Cosmos e relançar seu token SCRT na camada 2 Arbitrum, que opera sobre o Ethereum.
Por que a mudança entrou em pauta
- Exploit recente: em junho, a ponte IBC entre Secret e Axelar foi explorada, gerando perda de US$ 4,7 milhões em ativos bridgiados (o token nativo não foi afetado).
- Código envelhecido: a equipe afirma que ferramentas de Inteligência Artificial estão tornando mais barato analisar – e atacar – contratos antigos, elevando o risco de novas brechas.
- Liquidez rarefeita: o valor travado (TVL) em Cosmos gira em torno de US$ 2 bi, 88 % abaixo do pico de 2021. Na Secret, o TVL está perto de US$ 1,3 mi, segundo a DefiLlama.
Arbitrum atraiu a preferência
Segundo a proposta, o Arbitrum oferece:
- Profundidade de mercado: maior liquidez para pares ERC-20, algo crucial para quem depende de formação de preço eficiente.
- Ferramental maduro: integração com carteiras populares, exchanges e kits de desenvolvimento em ritmo mais acelerado do que no Cosmos.
- Ecossistema maior: mais de US$ 17 bi em valor total assegurado, liderando entre as camadas 2, de acordo com o L2Beat.
Como ficaria o token SCRT
A equipe propôs um snapshot único em 1º de setembro para capturar saldos de SCRT na rede atual. Esses dados serviriam de base para emitir um novo contrato ERC-20 no Arbitrum. O detalhamento sobre prazos de desbloqueio, ponte ou eventuais taxas ainda depende de aprovação em votação de governança.
Reação do mercado
Nas 24 horas que sucederam o anúncio, o SCRT recuou cerca de 24 %, negociado a US$ 0,041 — queda de mais de 99 % em relação ao topo histórico de 2021, segundo o CoinGecko.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O que investidores iniciantes devem observar
- Migração de rede não é automática: tokens mantidos fora de carteiras compatíveis podem exigir ação manual do usuário.
- Risco de volatilidade: alterações estruturais costumam provocar fortes oscilações de preço, especialmente em ativos com liquidez limitada.
- Panorama competitivo: outras redes criadas na Cosmos, como NilChain, Sei Network e Noble, também decidiram migrar para ambientes EVM em 2026, reforçando a disputa por desenvolvedores.
- Segurança em foco: a discussão expõe um tema crescente: IA como ferramenta para encontrar vulnerabilidades. Isso afeta qualquer investidor que participe de protocolos DeFi ou use pontes entre blockchains.
Ligação com o cenário macro
A busca por liquidez se intensifica em meio a um mercado ainda cauteloso com juros elevados nos Estados Unidos e no Brasil. Enquanto a Selic segue em trajetória de corte gradual, parte dos investidores de criptomoedas migra para renda fixa via CDI ou Tesouro Direto, reduzindo capital disponível para projetos menores. Redes que oferecem maior profundidade de mercado tendem a se tornar preferenciais para equipes que precisam atrair usuários e capital novo.
A proposta ainda depende de aprovação comunitária. Até lá, titulares de SCRT devem acompanhar os canais oficiais para entender prazos e procedimentos antes do eventual snapshot de 1º de setembro.