Fundos de FIDCs rendem 118% do CDI em dois anos e ganham espaço entre investidores

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Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e os fundos que aplicam em cotas desses veículos (FIC FIDCs) passaram a se destacar como alternativa para quem busca rendimento mais alto em renda fixa diante da piora no mercado de crédito privado.

De acordo com levantamento da XP Investimentos, no período de 24 meses encerrado em março, os FIC FIDCs entregaram 118% do CDI. No mesmo intervalo, os fundos de crédito privado high grade renderam 104% do CDI; os high yield, 112%; e os de títulos de maior liquidez, 101%.

Desempenho em março

Somente em março, mês marcado por forte estresse nos mercados devido à guerra no Irã e ao risco de calote de grandes companhias brasileiras, os FIC FIDCs registraram rentabilidade equivalente a 113% do CDI. No mesmo mês, os fundos high yield alcançaram 89% do CDI, os high grade 85% e os fundos de crédito com maior liquidez, 92%.

Pressão sobre spreads de crédito

A analista Clara Sodré, da XP, observa que o choque de oferta de petróleo provocado pelo conflito elevou o custo das commodities energéticas e afetou o caixa das empresas, aumentando a percepção de risco. Segundo o índice IDEX-DI, calculado pela JGP, o spread médio dos títulos privados subiu de 1,5% para um intervalo entre 2,1% e 2,4% ao ano acima do CDI, em relação aos títulos públicos. Já no segmento de infraestrutura, o índice IDEX-Infra aponta um avanço de 12,27 pontos-base sobre o rendimento dos papéis do Tesouro atrelados à inflação.

Com a alta dos juros, os fundos de crédito que marcam posição a mercado tiveram de reavaliar seus ativos, reduzindo a rentabilidade. Os FIDCs, porém, não atualizam cotas diariamente; sua remuneração segue a taxa pactuada no início da operação, o que tende a suavizar oscilações.

Interesse de family offices

Segundo Fábio de Aguiar Faria, gestor de portfólio do family office suíço Mirabaud no Brasil, a rentabilidade dos FIDCs – entre 3% e 4% ao ano acima do CDI – tem atraído investidores que costumavam recorrer a letras financeiras de bancos de primeira linha, geralmente remuneradas a CDI mais 0,4% ao ano. Ele destaca, contudo, a necessidade de análise detalhada da estrutura do fundo, como administrador, custodiante e consultor de crédito.

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Imagem: infomoney.com.br

Mecanismos de proteção

Para mitigar risco de inadimplência, os FIDCs contam com cotas subordinadas, que absorvem perdas iniciais, e cotas seniores, que têm prioridade no recebimento de juros e principal. A Mirabaud prioriza fundos diversificados, com várias carteiras e tomadores, elevada subordinação e estrutura fechada, que não permite resgates até o vencimento, evitando saídas em massa em momentos de estresse.

Riscos e transparência

Relatório da XP lembra que a menor volatilidade desses fundos não elimina o risco de crédito, apenas altera sua forma de manifestação. Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar Inteligência de Mercado, reforça que a complexidade da estrutura exige acompanhamento próximo. Ele alerta para o atraso no envio de informes mensais: estudo da Uqbar identificou 76 FIDCs, responsáveis por R$ 37 bilhões em patrimônio, que não haviam disponibilizado os dados de fevereiro até o início de abril, dificultando o monitoramento de carteiras e índices de inadimplência.

Para especialistas, entender a governança e a regularidade das informações é essencial antes de destinar recursos a FIDCs, mesmo diante de retornos superiores aos de outros produtos de crédito.

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