O noticiário de quinta-feira (21) voltou a girar em torno de um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Relatos dão conta de que uma versão preliminar, mediada pelo Paquistão, prevê cessar-fogo imediato e compromisso de não atacar infraestrutura crítica. Mesmo sem confirmação formal, a simples perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – foi suficiente para mexer em preços e expectativas.
Quando o barril sobe, combustível e fretes ficam mais caros, elevando a inflação. Para conter esse efeito, bancos centrais costumam puxar juros. Por isso, qualquer sinal de queda sustentável no preço do petróleo tende a aliviar a política monetária global – exatamente o que o mercado enxergou com a notícia da trégua.
O Ibovespa subiu 0,17% e fechou a 177.650 pontos. Na semana engata leve ganho de 0,2%, mas ainda acumula queda de 5,16% no mês. No ano, o índice sobe 10,26%, desempenho positivo, porém marcado por forte volatilidade desde abril.
Apesar do alívio no front geopolítico, o fluxo estrangeiro continua negativo: quase R$ 11 bilhões deixaram a B3 apenas em maio. Esse movimento ajuda a explicar por que a Bolsa não engrena mesmo com a trégua em pauta.
Segundo relatório da Genial Investimentos, o índice perdeu força depois de tocar os 199 mil pontos em abril. Agora, opera perto do suporte de 178.600 pontos. A manutenção abaixo desse patamar mantém viés de correção de curto prazo; retomada acima de 179 mil configuraria apenas um alívio técnico.
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Para o investidor iniciante, vale acompanhar dois pontos:
Um petróleo mais barato pode arrefecer a inflação mundial, diminuir a necessidade de elevação de juros lá fora e, indiretamente, aliviar a Selic. Se esse cenário se confirmar, a renda fixa atrelada ao CDI pode perder tração ao longo do tempo, enquanto ativos de maior risco ganham espaço. Por ora, porém, o quadro é de espera: a XP já elevou a projeção da Selic de 13,50% para 13,75% ao fim de 2026, refletindo a incerteza pós-guerra.
Enquanto esses pontos permanecem indefinidos, a Bolsa brasileira segue em compasso de espera: não desmorona, mas também não reúne fôlego para testar novamente as máximas de abril. A narrativa geopolítica continua dominante e cada despacho vindo de Teerã ou Washington tem potencial de mudar o humor dos mercados em minutos.
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