Bitcoin renova mínima desde abril; resgates em ETFs e cenário macro reforçam cautela

O mês de junho começou com clima de ressaca para o Bitcoin (BTC). Na madrugada desta terça-feira (2), a principal criptomoeda do mercado tocou US$ 67.700, menor cotação desde a primeira semana de abril, acumulando perda aproximada de 22% no ano.

Três focos de pressão sobre o preço

  • Saídas recordes em ETFs nos EUA – Entre 15 de maio e 1.º de junho, os fundos de índice de Bitcoin listados em Nova York registraram 11 pregões consecutivos de resgates, somando US$ 3,45 bilhões, segundo o JPMorgan. Apenas o IBIT, da BlackRock, respondeu por 91% do fluxo negativo na última sessão.
  • Cenário macro mais duro – O conflito no Oriente Médio manteve o petróleo em patamar elevado. Com energia mais cara, parte do mercado passou a precificar a chance de o Federal Reserve subir os juros em 2026. Taxas mais altas nos EUA costumam reduzir o apetite por ativos considerados de maior risco, como criptomoedas.
  • Venda pontual da Strategy – A companhia alienou 32 Bitcoins por US$ 2,5 milhões para pagar dividendos de ações preferenciais. O volume representa 0,01% de suas reservas, mas o anúncio serviu de gatilho psicológico e acelerou um long squeeze (fechamento de posições compradas alavancadas) já em formação.

Por que os ETFs importam tanto?

Os ETFs compram Bitcoin de forma física, ou seja, cada cota lastreia a compra do ativo. Quando investidores sacam recursos, os gestores vendem BTC de suas carteiras, pressionando o preço no mercado à vista – o que se reflete rapidamente nas cotações globais.

Níveis técnicos no radar

Perdidos os suportes de US$ 72 mil e US$ 70,8 mil, a consultoria Vault Capital aponta a faixa de US$ 65 mil a US$ 68 mil como próximo ponto de defesa dos compradores. Para quem acompanha gráficos, essa zona costuma concentrar ordens de recompra e pode diminuir a velocidade das quedas.

Rivalidade com o Ethereum ganha corpo

Enquanto o Bitcoin recuou, o Ethereum (ETH) subiu cerca de 5% em relação ao BTC após o anúncio da venda da Strategy. O Standard Chartered vê “início de superperformance” do ETH e mantém alvo de US$ 4.000 para o fim de 2026. Um dos argumentos é que o ETH pode ser alocado em staking, gerando renda de aproximadamente 3% ao ano – característica ausente no Bitcoin.

O que o investidor brasileiro deve observar

  • Dólar e Selic – Movimentos do Fed impactam o câmbio. Dólar mais forte pressiona o preço local do Bitcoin nos pares em real e também pode influenciar decisões sobre alocação entre cripto e renda fixa.
  • Renda fixa versus cripto – Com a Selic ainda em patamar elevado, títulos públicos atrelados ao CDI oferecem retorno sem volatilidade. A comparação se torna inevitável em momentos de forte correção de criptoativos.
  • Liquidez e perfil de risco – A recente sequência de resgates mostra como a liquidez pode evaporar rapidamente. Investidores iniciantes devem conhecer seu horizonte de investimento e evitar alavancagem.

Sem um catalisador claro de alta e com ETFs ainda recebendo ordens de venda, analistas avaliam que os próximos dias serão decisivos para saber se o suporte em torno de US$ 65 mil segurará a pressão ou se o ambiente geopolítico e inflacionário continuará ditando a direção do mercado.

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