O presidente‐executivo do Bank of America (BofA), Brian Moynihan, reforçou nesta quarta-feira que não enxerga recessão à vista nos Estados Unidos, ainda que a própria instituição projete o cenário mais agressivo de alta de juros entre os grandes bancos de Wall Street. O BofA espera três elevações adicionais na taxa básica conduzida pelo Federal Reserve (Fed), hoje situada entre 3,5% e 3,75%.
O que mudou na expectativa de juros
- O Fed decidiu manter os juros estáveis em sua última reunião, mas o BofA vê necessidade de aperto extra para conter a inflação, classificada como “mais persistente” após o choque de preços do petróleo.
- Kevin Warsh, recém-empossado como presidente do Fed, sinalizou prioridade ao controle de preços, ainda que isso mantenha os juros elevados por mais tempo.
- Para Moynihan, taxas mais altas são “sinal de economia forte” e não razão para pânico, desde que o mercado de trabalho continue robusto.
Por que o Bank of America fala em três altas
De acordo com o executivo, o crescimento norte-americano superou as previsões de alguns meses atrás, o que dá ao banco a convicção de que a atividade pode suportar um custo de crédito maior. A equipe de pesquisa da instituição acredita que a inflação levará mais tempo para convergir à meta, estendendo-se, nas palavras de Moynihan, “até 2027 ou 2028”.
Impacto para investidores brasileiros
- Câmbio: Juros mais altos nos EUA costumam atrair capital para títulos do Tesouro americano, pressionando moedas de países emergentes. Isso pode manter o dólar em patamar firme frente ao real.
- Renda fixa: Um Federal Reserve mais duro tende a elevar rendimentos dos Treasuries, servindo de referência para prêmios na curva brasileira. Investidores locais acompanham de perto, pois movimentos lá fora influenciam expectativas para a Selic.
- Bolsa: Setores sensíveis a juros — como tecnologia nos EUA e empresas de crescimento no Brasil — podem enfrentar maior volatilidade se o custo de capital global subir.
- Criptomoedas: Ativos considerados de maior risco, como bitcoin, geralmente sofrem quando os juros reais avançam, embora a correlação não seja linear.
O que observar nos próximos meses
- Próximas reuniões do Fed e eventuais sinais de Warsh sobre o ritmo de alta.
- Dados de inflação norte-americanos, especialmente núcleos que excluem energia e alimentos.
- Indicadores do mercado de trabalho nos EUA, já que recessão ou não depende diretamente do comportamento do desemprego.
- Reação das curvas de juros globais, que podem influenciar decisões sobre Tesouro Direto, CDBs atrelados ao CDI e alocação em renda variável no Brasil.
Para o investidor iniciante, o ponto-chave é entender que mudanças na política monetária dos EUA afetam o custo de captação e, indiretamente, o valor dos ativos no mundo todo. Acompanhar comunicados do Fed e relatórios de inflação ajuda a antecipar movimentos de preço sem recorrer a apostas precipitadas.
Imagem: Kristen Altus FOXBusiness