Bolsas europeias fecham em alta com recuo do petróleo e expectativa por juros do BCE

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções1 hora atrás7 Visualizações

Os principais índices acionários da Europa encerraram a quinta-feira (4) em terreno positivo, embalados pelo alívio nos preços do petróleo e pela expectativa em torno da próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), marcada para 11 de junho.

Petróleo mais barato alivia pressão inflacionária

O contrato de Brent para agosto cedeu cerca de 3%, sendo negociado próximo de US$ 95 o barril no fim da sessão europeia. O movimento foi influenciado pelo anúncio de cessar-fogo entre Líbano e Israel, que reduziu o prêmio de risco geopolítico embutido na commodity.

Para o investidor, a queda do petróleo tende a impactar as projeções de inflação na zona do euro e, por tabela, a política de juros. Um barril mais barato costuma aliviar custos de energia e transporte, itens sensíveis no índice de preços ao consumidor.

Juros do BCE no radar

A possível alta da taxa básica europeia na semana que vem foi descrita por analistas do ING como uma “alta de seguro” — isto é, uma elevação preventiva para evitar que o BCE fique “atrás da curva” caso a inflação volte a acelerar. Juros maiores podem valorizar investimentos atrelados ao euro, mas também encarecem o custo de capital para empresas listadas.

Para quem investe em ETFs de ações europeias ou em BDRs de companhias do Velho Continente, decisões do BCE costumam mexer com a cotação dos ativos, já que alteram tanto as perspectivas de crescimento quanto o apetite por risco global.

Principais números do pregão

  • Stoxx 600: +0,52%, aos 624,45 pontos
  • DAX (Frankfurt): +0,60%, aos 24.944,95 pontos
  • CAC 40 (Paris): +1,15%, aos 8.244,29 pontos
  • FTSE 100 (Londres): +0,27%, aos 10.360,32 pontos

Varejo fraco testa confiança

As vendas no varejo da zona do euro recuaram 0,4% em abril ante março, levemente pior que o previsto. O dado reforça a leitura de que a atividade ainda caminha de lado, o que aumenta o dilema do BCE: elevar juros para conter preços sem sufocar ainda mais o consumo.

Destaques corporativos

  • Universal Music Group recuou 4,87% após o fundo Pershing Square vender participação avaliada em mais de US$ 1,5 bilhão. A própria UMG anunciou recompra de 14 milhões de ações por € 250 milhões, parte de um programa já em andamento.
  • Nokia caiu cerca de 6%, pressionada pelos resultados da Broadcom, que mexeram com o humor do setor de tecnologia.
  • SAP seguiu na contramão e subiu 5,5%, sustentando parte dos ganhos do segmento tech alemão.

O que fica para o investidor

Com a combinação de petróleo menos pressionado e possibilidade de aperto monetário, o investidor iniciante acompanha duas variáveis que impactam desde aplicações em renda fixa europeia até carteiras diversificadas em ações globais. A decisão do BCE e a evolução dos preços de energia devem seguir como principais bússolas do mercado nos próximos dias.

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