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A disputa pela liderança nas exportações agrícolas globais ganhou novo capítulo. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que, em 2025, o país vendeu US$ 171 bilhões em produtos do campo, apenas US$ 2 bilhões a mais que o Brasil. A diferença mínima abre caminho para que, já em 2026, os brasileiros assumam o primeiro lugar.
Desde os anos 1970, pesquisas da Embrapa permitiram corrigir solos do Cerrado e introduzir cultivares adaptados ao clima tropical. O resultado foi uma produção de grãos que mais que dobrou em 13 anos, alcançando 346,1 milhões de toneladas em 2025, sem expansão proporcional da área.
A possibilidade de colher duas vezes ao ano dilui custos fixos – máquinas, financiamentos atrelados ao CDI e mão de obra – e melhora a competitividade. Na ponta da demanda, a China segue dominante no consumo de soja para ração animal, reforçando o fluxo dos navios brasileiros rumo ao Oriente.
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes e sente o encarecimento provocado pela guerra com o Irã. Juros internos elevados e queda recente das cotações agrícolas já comprimiam margens antes mesmo do conflito. Pesquisadores da Universidade Purdue estimam lucro de apenas US$ 10 por meio hectare de soja em Mato Grosso – o menor patamar em 20 anos.
No lado ambiental, o desmatamento ilegal rendeu tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, mesmo após redução expressiva das derrubadas. Isso mantém imprevisibilidade para quem financia cadeias de exportação longa.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O agronegócio responde por cerca de um quarto do PIB brasileiro. Ultrapassar os EUA no ranking global pode aumentar a participação da atividade nas contas externas, alterar expectativas para o superávit comercial e influenciar decisões de política monetária. Para o investidor iniciante, entender esse rearranjo ajuda a acompanhar setores listados na B3, avaliar impacto sobre preço do alimento no mercado interno e ajustar expectativas de retorno em ativos atrelados ao ciclo agrícola.
Enquanto os EUA lidam com margens negativas e maior dependência de subsídios, o Brasil encara o teste de ampliar infraestrutura e manter práticas socioambientais sob escrutínio internacional. A corrida continua, mas o pódio já parece ao alcance dos brasileiros.
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