Brasil lidera ranking de juros reais com taxa de 9,05%

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro5 horas atrás8 Visualizações

O Brasil permanece na liderança mundial dos juros reais no levantamento da consultoria Moneyou divulgado na semana de 6 de novembro de 2026. A taxa brasileira ficou em 9,05%, mais de sete vezes a média de 1,27% registrada no ranking, que reúne 40 países.

O juro real é a taxa de juros descontada a inflação de cada país. Depois do Brasil, aparecem Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia. No levantamento anterior, publicado em setembro, o país também ocupava a primeira posição, mas com uma taxa menor, de 8,45%.

O resultado ocorre em meio à interrupção dos cortes da taxa básica de juros e ao debate sobre o custo dos juros para empresas, famílias e contas públicas.

Juros e dívida pública estão no centro do debate

Dados do Banco Central apontam os juros elevados como a principal causa do crescimento da dívida pública. Nos últimos 12 meses, a despesa com juros consumiu mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento público, equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

A dívida pública passou de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026. Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agentes do mercado financeiro têm cobrado cortes de gastos como caminho para estabilizá-la.

Economistas críticos à política monetária do BC defendem outra abordagem: como atribuem aos juros altos a maior responsabilidade pelo aumento da dívida, argumentam que é necessário buscar uma política alternativa que contribua para a redução das taxas.

Copom mantém Selic em 13,75% ao ano

Na quarta-feira, 4 de novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 13,75% ao ano. A decisão interrompeu a trajetória de redução da taxa básica de juros iniciada em abril.

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Foto: Foto: reprodução

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação. No acumulado de 12 meses, a inflação passou de 4,5% para 4,62%, ficando acima do teto da meta, de 4,5%.

Ao explicar a decisão em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas haviam aumentado nas semanas anteriores e que as expectativas de inflação continuavam acima da meta.

Indústria critica manutenção da taxa

O nível dos juros é criticado por especialistas e pela indústria. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão de manter a taxa é “injustificável” e impõe custos elevados a empresas e famílias.

“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O Copom não indicou, em seu comunicado, qual será a trajetória dos juros nas próximas reuniões.

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