O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta quinta-feira (7) a criação de um grupo de trabalho entre Brasil e Estados Unidos para buscar consenso sobre tarifas e sobre a investigação comercial aberta por Washington em 2025.
A iniciativa foi apresentada após reunião na Casa Branca com o presidente norte-americano, Donald Trump. Lula afirmou que o colegiado teria 30 dias para elaborar uma proposta conjunta, envolvendo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro e o Escritório do Representante Comercial dos EUA.
Apesar de momentos de cordialidade, o encontro registrou tensão. “Ficou clara a divergência entre eles e nós”, disse Lula, relatando posições opostas de ministros dos dois governos.
Segundo integrantes da delegação brasileira, o representante comercial Jamieson Greer foi o mais resistente. Ele comandou a abertura, no ano passado, de um processo com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana de 1974, que permite a imposição de sanções tarifárias e não tarifárias a países considerados praticantes de políticas injustas. A apuração envolve temas como o sistema de pagamentos Pix, o comércio popular da rua 25 de Março, em São Paulo, e o etanol brasileiro.
O principal atrito diz respeito aos impostos aplicados pelo Brasil sobre produtos dos EUA. Trump argumentou que algumas mercadorias enfrentam alíquotas de até 12%, enquanto Lula contestou, citando uma média de 2,7% e ressaltando que o Brasil compra mais dos Estados Unidos do que vende para lá.
Imagem: redir.folha.com.br
“Se houver erro de nossa parte, vamos ceder; se for do lado de vocês, terão de ceder”, declarou Lula ao defender a formação do grupo de trabalho.
Em 2026, o Brasil passou a fazer parte de um inquérito norte-americano que apura suposto uso de trabalho forçado em 60 países. A abertura do procedimento ocorreu após a Suprema Corte dos EUA barrar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas, movimento que, segundo analistas, levou o governo Trump a buscar outras alternativas para manter cobranças.
No ano passado, as tarifas aplicadas pelos EUA chegaram a 50% sobre produtos brasileiros. Parte dessas sobretaxas foi retirada após o primeiro encontro entre Lula e Trump, realizado durante a Assembleia Geral da ONU.