
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual (BPAC11), defendeu que o Brasil avance em reformas e na modernização da economia para preservar sua competitividade em um cenário de capital mais caro, tensões geopolíticas e mudanças tecnológicas. O executivo participou de um painel sobre educação e carreira em um evento na terça-feira, 20 de outubro.
“Se não fizermos a lição de casa como país, vamos sofrer as consequências”, afirmou. Na avaliação de Sallouti, empresas, governos e profissionais precisam se preparar para as próximas décadas, que deverão ser marcadas por juros mais elevados e transformações no ambiente econômico internacional.
Para o executivo, fortalecer a produtividade e a competitividade é necessário para que o país consiga aproveitar oportunidades e enfrentar os desafios externos. Sem esses avanços, o Brasil terá mais dificuldade para responder às novas condições da economia global.
Na leitura de Sallouti, o período de dinheiro barato e de rápida globalização ficou para trás, e a mudança já está em andamento. Após anos de juros próximos de zero, sobretudo a partir da crise financeira de 2008, o custo do dinheiro voltou a subir. Isso encarece o financiamento e torna mais complexas as decisões de investimento.
O alerta do CEO do BTG vai além da política monetária. Ele também apontou a fragmentação da ordem geopolítica, com maior protecionismo, conflitos e disputas comerciais, como um desafio para os países que precisam se adaptar.
“Hoje vivemos em um ambiente global polarizado, com protecionismo, mais conflitos e mais guerras”, disse.
Depois de décadas de integração entre as economias, esse ambiente menos previsível pode dificultar o comércio e os negócios. Para Sallouti, a combinação dessas tensões com o capital mais caro reforça a importância da modernização econômica brasileira.
A inteligência artificial (IA) e as mudanças climáticas também estão entre os fatores que, segundo o executivo, devem influenciar a economia nas próximas décadas. Sua avaliação é que essas transformações exigem tanto adaptação das empresas quanto maior qualificação dos profissionais.
Sallouti comparou o alcance da IA ao das grandes revoluções industriais e defendeu que a tecnologia já faça parte da rotina de quem pretende continuar competitivo no mercado de trabalho. Ao tratar da preparação dos jovens, resumiu: “A inteligência artificial é o novo Excel”.
As mudanças climáticas, por sua vez, precisam ser consideradas no planejamento das empresas e nas decisões de negócios, afirmou. Junto com as alterações tecnológicas e econômicas, elas ampliam a necessidade de adaptação a um cenário de rápida transformação.
Embora tenha destacado os desafios, o CEO do BTG também vê na necessidade de adaptação espaço para novos negócios e iniciativas que ajudem a resolver problemas brasileiros. Nesse processo, atribuiu papel importante à educação, à qualificação e ao empreendedorismo.
“O Brasil está cheio de problemas, então o que precisamos é de gente qualificada, capacitada, com o coração no lugar e empreendedora para ajudar o Brasil a se transformar”, afirmou.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






