Washington, — A temporada de churrascos que se aproxima nos Estados Unidos deve pesar no bolso dos consumidores. O aumento dos preços de energia, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, está elevando o custo do propano — combustível usado na maioria das churrasqueiras — e pressionando toda a cadeia de produção de carne bovina.
Segundo a instituição de pesquisas AAA, o galão de gasolina nos EUA custa em média US$ 4,02, cerca de US$ 0,86 a mais do que há um mês. O diesel, essencial para o transporte de carga, chegou a US$ 5,49 o galão, alta de US$ 1,90 em relação ao ano anterior.
No polo de Mont Belvieu, referência para o mercado de propano, o valor do combustível subiu quase 19% desde o final de fevereiro, quando o conflito envolvendo o Irã começou a afetar o mercado global de energia.
O professor de economia agrícola da Universidade Estadual do Kansas, Glynn Tonsor, explica que os criadores de gado dependem de combustível para praticamente todas as etapas da produção, do funcionamento dos tratores ao transporte dos animais. “Esses custos mais altos acabam repassados ao consumidor”, afirmou.
Além da energia mais cara, a oferta de gado continua limitada. Após anos de seca, aumento de custos e envelhecimento da mão de obra rural, o rebanho norte-americano está no menor nível em 75 anos. Como a pecuária leva anos para se recompor, a escassez mantém os preços elevados.
Imagem: Amanda Macias FOXBusiness via foxbusiness.com
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostram que o preço médio da carne bovina subiu de US$ 8,70 por libra em março de 2025 para US$ 10,08 no mesmo mês de 2026, alta de cerca de 16%.
O governo Trump anunciou medidas para ampliar a oferta, incluindo aumento de importações de carne da Argentina e um plano de longo prazo para fortalecer a indústria pecuária doméstica. Mesmo assim, analistas apontam que, ainda que o custo da energia recue, os preços da carne não devem ceder rapidamente.
Para os consumidores, o resultado pode ser uma conta mais salgada no supermercado e churrascos mais caros neste verão, dependendo de como a demanda vai reagir e de fatores externos fora do alcance dos norte-americanos.