Indústria pede cotas contra produtos asiáticos após novo tarifaço dos EUA

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiroontem12 Visualizações

Setores industriais brasileiros, liderados pela Abicalçados, solicitaram ao governo Lula a criação de cotas de importação para calçados, pneus, móveis, madeira, rochas ornamentais e fumo. O objetivo é frear a entrada de produtos asiáticos considerados subsidiados e compensar perdas provocadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos.

Por que a tarifa dos EUA muda o jogo

O governo norte-americano anunciou nesta semana uma alíquota adicional de 25% sobre vários itens brasileiros. Segundo a Abicalçados, o mercado dos EUA absorve cerca de 20% das exportações de calçados do Brasil. A taxação torna o produto nacional mais caro ao consumidor americano, reduz a competitividade e pode obrigar empresas a redirecionar sua produção para o mercado interno.

Quotas x Tarifas: o argumento da indústria

  • Tarifas de importação sobre produtos asiáticos não seriam suficientes, avalia o setor, porque fabricantes chineses poderiam simplesmente reduzir preços para manter participação.
  • Cotas limitam a quantidade que pode entrar no país, oferecendo ao fabricante local espaço para repor vendas perdidas no exterior.
  • A alternativa é vista como “remédio” temporário até que o Brasil renegocie a lista de exceções com Washington.

Pressão extra sobre o governo Lula

De acordo com Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, o pleito foi apresentado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na sexta-feira (17). Ele admite que o ciclo eleitoral no Brasil e nos EUA torna o diálogo mais complexo, mas defende que o país “faça concessões” para derrubar a tarifa americana.

Impacto para o investidor

  • Empresas listadas – Grupos do setor calçadista e moveleiro negociados na B3 podem ver menor pressão competitiva no mercado doméstico caso as cotas avancem.
  • Varejo e inflação – Restrições a produtos importados tendem a sustentar preços internos. O repasse ao consumidor, porém, depende do nível de demanda e do câmbio.
  • Câmbio – Uma redução nas exportações pode diminuir a entrada de dólares no país, colocando leve pressão de alta sobre a moeda, sobretudo se o Banco Central já sinaliza corte de Selic.
  • Juros e renda fixa – Se as cotas elevarem preços de bens de consumo, há risco de ligeira alta na inflação corrente, o que pode influenciar expectativas de mercado para o IPCA e, por consequência, a trajetória da taxa básica.

‘Invasão’ asiática em números

A Abicalçados informa que as importações de pares prontos cresceram 15% em 2023 e repetem a mesma taxa neste ano. A concorrência, aponta a entidade, dificulta o repasse de produção destinada aos EUA para o mercado brasileiro – justamente o movimento necessário após o tarifaço.

Próximos passos

O governo estuda medidas emergenciais de crédito dentro do Plano Brasil Soberano para as empresas afetadas. Paralelamente, associações brasileiras e a FDRA (entidade que reúne distribuidores e varejistas de calçados nos EUA) tentam convencer Washington a adotar um teto para o imposto.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Enquanto isso, investidores devem acompanhar:

  • Negociações bilaterais Brasil-EUA e eventuais contrapartidas.
  • Decisão sobre cotas de importação no Comitê-Executivo de Gestão da Camex.
  • Desdobramentos eleitorais que possam influenciar a política comercial de ambos os países.

A adoção ou não das cotas definirá o quão rápida será a recuperação de margens para a indústria nacional e se o consumidor brasileiro sentirá a conta no bolso.

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