O mercado brasileiro de crédito privado — que engloba debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e títulos bancários, como CDBs — voltou a apresentar oportunidades de alocação depois de meses de forte volatilidade no início de 2026. A análise é de Guilherme Mattioli, sócio e gestor da BTG Pactual Asset Management.
Durante o ETF Day, evento organizado pelo banco para assessores de investimentos em 6 de maio, o executivo afirmou que a casa não identifica problemas estruturais no segmento. “Não enxergamos deterioração generalizada das empresas nem movimento amplo de inadimplência”, disse.
Segundo Mattioli, a combinação de pedidos de recuperação judicial, casos pontuais no sistema financeiro — como o episódio do Banco Master — e resgates em fundos de crédito provocou venda concentrada de papéis. Esse movimento ampliou os spreads e devolveu aos investidores um retorno mais compatível com o risco.
“Estávamos com posição maior em caixa; agora vemos espaço para elevar a exposição a renda fixa privada”, comentou o gestor. No ano passado, a taxa Selic elevada intensificou a busca por títulos corporativos, comprimindo prêmios e tornando a remuneração pouco atrativa. A recente correção de preços, contudo, reverteu parte desse cenário.
Para Mattioli, a última década tornou o crédito privado no Brasil mais desenvolvido e líquido. O mercado secundário ganhou força, permitindo que investidores negociem os papéis antes do vencimento. Essa evolução, na avaliação do gestor, provocou maior sensibilidade dos preços a fatores macroeconômicos, geopolíticos e resultados corporativos, aproximando o comportamento desses ativos ao observado na bolsa.
Ele reconheceu que a volatilidade dos fundos aumentou, mas avaliou que o amadurecimento do setor favorece a gestão ativa. “O investidor hoje entende melhor as oscilações”, afirmou.
Imagem: Vitor Azevedo via moneytimes.com.br
Questionado sobre companhias que recentemente estiveram sob pressão, como Grupo Pão de Açúcar, Braskem e Raízen, Mattioli lembrou que vários emissores já davam sinais de fragilidade antes do agravamento do cenário. Apesar disso, reforçou que, em geral, as empresas seguem adaptadas a juros altos por um período prolongado.
O gestor também destacou o DEBB11, ETF de debêntures da BTG Pactual Asset Management. O fundo replica um índice de títulos atrelados ao CDI emitidos por grandes companhias e possui atualmente mais de 200 ativos na carteira. Ele apontou vantagens do instrumento em relação à compra direta de debêntures ou fundos tradicionais, principalmente em liquidez, diversificação e tratamento tributário, já que as cotas são negociadas em bolsa e permitem aporte inicial reduzido.
Para a BTG Asset, o atual patamar de spreads sugere um ambiente propício para ampliar posições, desde que o investidor esteja atento à seleção de emissores e à gestão ativa dos riscos.