Crise energética se agrava e 76 países recorrem a medidas de emergência diante de possível alta do Brent a US$ 180

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiroagora mesmo6 Visualizações

Quase 80 governos já acionaram planos de emergência para conter os efeitos da crise energética desencadeada pelo conflito no Oriente Médio. O temor central é de que o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, leve o barril do Brent a até US$ 180, segundo a gestora Aberdeen.

O que está acontecendo

A Agência Internacional de Energia (AIE) contabiliza 76 países sob alguma forma de racionamento ou subsídio extraordinário. Entre as recentes iniciativas:

  • Austrália reservou US$ 10 bilhões para reforçar estoques de combustíveis e fertilizantes;
  • França alterou o escopo do apoio estatal às empresas;
  • Índia aconselhou a população a reduzir compras de ouro e viagens internacionais para poupar divisas.

A AIE calcula um déficit de oferta que pode chegar a 9 milhões de barris diários entre março e junho. Para cobrir a lacuna, países vêm drenando reservas estratégicas – mais de 2 milhões de barris por dia – mas essa liberação deve terminar em julho.

Por que o Estreito de Ormuz é decisivo

O corredor marítimo liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo. Caso o bloqueio permaneça, operadores alertam para:

  • Escalada dos custos de frete, elevando o preço de derivados como gasolina e diesel;
  • Risco de racionamento físico, principalmente em países em desenvolvimento, onde já há redução da semana útil para quatro dias.

Possíveis impactos sobre inflação e juros

O Brent acima de US$ 150 reacenderia o fantasma da estagflação: combinação de preços em alta com atividade fraca. Para bancos centrais, isso torna o dilema dos juros mais complexo, pois cortes agressivos podem perder força contra um choque de oferta.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

No Brasil, combustíveis têm peso direto no IPCA. Uma alta prolongada do petróleo pressiona a inflação e pode atrasar mudanças no ritmo de cortes da Selic.

Reflexos para o investidor brasileiro

  • Ações de companhias aéreas e de petroquímicas tendem a sentir primeiro o aumento dos custos de combustível;
  • Fundos de renda fixa indexados à inflação podem capturar parte do repique inflacionário;
  • O câmbio costuma reagir a choques de commodities, o que pode adicionar volatilidade para quem mantém posição em dólar ou em BDRs.

Todos esses efeitos dependem da duração do conflito e da velocidade de recomposição dos estoques mundiais.

O que acompanhar nas próximas semanas

  • Nível dos estoques nos países da OCDE; a JPMorgan projeta patamar crítico já no início de junho;
  • Reuniões da OPEP+ sobre eventual aumento de oferta;
  • Decisões de bancos centrais sobre juros, essenciais para calibrar expectativas de inflação.

Enquanto o mercado testa seus limites logísticos, analistas do Morgan Stanley ainda veem chance de normalização que traria o Brent de volta a cifras abaixo de US$ 100. O risco maior, porém, está no cenário de escalada prolongada, capaz de provocar recessão global e novas rupturas nas cadeias de suprimentos.

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