A economia brasileira exibe hoje alguns dos melhores números em três décadas, mas isso não se traduz em altos índices de aprovação para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação mediana — pouco abaixo de 50% — contrasta com os 80% registrados no fim de 2010, último ano de seu segundo mandato. O economista Bráulio Borges reuniu dados e hipóteses para explicar a desconexão.
Em condições normais, números como esses costumam impulsionar a confiança do consumidor, melhorar o humor do mercado interno e, por tabela, favorecer a popularidade de qualquer governo. Desta vez, porém, isso não aconteceu.
Nos anos 2000, a economia crescia acima do potencial — o chamado hiato do produto estava quatro pontos percentuais positivo em 2010, segundo estimativas citadas por Borges. Esse superaquecimento, combinado à valorização cambial (cerca de R$ 3,50/US$ em valores de hoje), inflou o poder de compra e criou sensação de prosperidade.
A descoberta do pré-sal e a escolha do Brasil para sediar Copa e Olimpíadas alimentaram o entusiasmo. Para muitos eleitores, aquele período se tornou a referência de sucesso. Ainda que o momento atual seja favorável, ele não oferece o mesmo brilho extraordinário — o que relativiza os ganhos presentes na cabeça do eleitor.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Borges destaca que, nos últimos dez anos, a agenda de costumes ganhou espaço comparável ao chamado voto econômico. Aproximadamente 40% do eleitorado demonstra rejeição estrutural a Lula, fenômeno semelhante ao que ocorre com Jair Bolsonaro. Essa divisão deixa pouco espaço para oscilações provocadas apenas por inflação, emprego ou renda.
Em resumo, os fundamentos econômicos continuam relevantes, mas deixaram de ser o único termômetro da avaliação presidencial. Para o investidor, acompanhar a interação entre dados macro, expectativas sociais e clima político tornou-se ainda mais essencial para entender os humores do mercado brasileiro.
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