Indicadores melhoram, mas aprovação do governo Lula 3 segue morna: quais os motivos?

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiroagora mesmo6 Visualizações

A economia brasileira exibe hoje alguns dos melhores números em três décadas, mas isso não se traduz em altos índices de aprovação para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação mediana — pouco abaixo de 50% — contrasta com os 80% registrados no fim de 2010, último ano de seu segundo mandato. O economista Bráulio Borges reuniu dados e hipóteses para explicar a desconexão.

Indicadores atuais sugerem bem-estar econômico

  • “Taxa de infelicidade” (desemprego + inflação) está no menor nível desde o Plano Real.
  • A extrema pobreza recuou para 4,8% da população em 2024, a metade do patamar pré-pandemia.
  • Mortes violentas caem de forma contínua desde 2018.

Em condições normais, números como esses costumam impulsionar a confiança do consumidor, melhorar o humor do mercado interno e, por tabela, favorecer a popularidade de qualquer governo. Desta vez, porém, isso não aconteceu.

O peso da memória do “milagrinho” de 2010

Nos anos 2000, a economia crescia acima do potencial — o chamado hiato do produto estava quatro pontos percentuais positivo em 2010, segundo estimativas citadas por Borges. Esse superaquecimento, combinado à valorização cambial (cerca de R$ 3,50/US$ em valores de hoje), inflou o poder de compra e criou sensação de prosperidade.

A descoberta do pré-sal e a escolha do Brasil para sediar Copa e Olimpíadas alimentaram o entusiasmo. Para muitos eleitores, aquele período se tornou a referência de sucesso. Ainda que o momento atual seja favorável, ele não oferece o mesmo brilho extraordinário — o que relativiza os ganhos presentes na cabeça do eleitor.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Polarização e “guerra cultural” limitam o teto de aprovação

Borges destaca que, nos últimos dez anos, a agenda de costumes ganhou espaço comparável ao chamado voto econômico. Aproximadamente 40% do eleitorado demonstra rejeição estrutural a Lula, fenômeno semelhante ao que ocorre com Jair Bolsonaro. Essa divisão deixa pouco espaço para oscilações provocadas apenas por inflação, emprego ou renda.

Por que isso importa para o investidor?

  • Risco político. Popularidade moderada diminui a folga do governo para aprovar reformas fiscais ou regulatórias que afetam juros futuros, câmbio e Bolsa.
  • Sentimento de mercado. Quanto maior a incerteza sobre apoio político, maior a cautela de investidores locais e estrangeiros, refletindo-se em prêmio de risco e volatilidade.
  • Política monetária. Se indicadores de aprovação não avançam mesmo com desemprego e inflação baixos, a pressão política sobre o Banco Central pode aumentar — tema sensível para quem acompanha Selic, CDI e renda fixa.

Glossário rápido

  • Hiato do produto: diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial de uma economia. Indica se há ociosidade ou superaquecimento.
  • Valorização cambial: queda do dólar frente ao real, barateando importados e viagens, mas podendo prejudicar exportações.
  • Taxa de infelicidade: conceito informal que soma desemprego e inflação para medir desconforto econômico da população.

Em resumo, os fundamentos econômicos continuam relevantes, mas deixaram de ser o único termômetro da avaliação presidencial. Para o investidor, acompanhar a interação entre dados macro, expectativas sociais e clima político tornou-se ainda mais essencial para entender os humores do mercado brasileiro.

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