Economia verde atinge US$ 10 tri em valor de mercado e chama atenção de investidores globais

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro14 horas atrás8 Visualizações

O conjunto de empresas listadas em Bolsa que obtêm parte relevante do faturamento com soluções ambientais — a chamada economia verde — passou a valer US$ 10 trilhões, informou a LSEG (London Stock Exchange Group). O montante é recorde e vem acompanhado de uma receita de US$ 5,5 trilhões em 2025, expansão mais veloz desde 2022.

O que compõe a economia verde

  • Energias renováveis (solar, eólica, hídrica, nuclear de baixo carbono)
  • Eficiência energética, reciclagem e gestão de resíduos
  • Água potável e infraestrutura hídrica
  • Veículos elétricos e baterias avançadas

Para a LSEG, uma empresa é considerada “verde” quando mais de 20% da sua receita vêm dessas atividades. O estudo avaliou mais de 21 mil companhias globais.

Desempenho acima das Bolsas tradicionais

Segundo o relatório, ações cujas empresas superam o threshold de 20% em atividades verdes têm superado o retorno médio do mercado acionário mundial. Um sinal é o índice S&P Global Clean Energy Transition, que subiu mais de 80% desde o fim de 2024 — mais que o dobro do S&P 500 no mesmo intervalo.

Para o investidor iniciante, o dado indica que parte do fluxo de capital global tem migrado para modelos de negócio alinhados à transição energética. Ainda assim, ganhos passados não garantem desempenho futuro.

Por que o crescimento persiste apesar das tensões políticas

A LSEG destaca que, mesmo com a redução de prioridade climática em algumas potências e tensões geopolíticas, fatores como segurança energética e competitividade industrial mantêm o impulso do setor. Em outras palavras, além de reduzir emissões, as empresas buscam proteger cadeias de suprimento e custos de energia.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Estados Unidos lideram em capitalização

Os EUA respondem por 57% do valor de mercado verde global, apesar de políticas que ampliam a produção interna de petróleo e gás. A posição americana reflete a profundidade do seu mercado de capitais e o porte de empresas como NextEra Energy e Dominion Energy, que anunciaram fusão avaliada em cerca de US$ 67 bilhões. Juntas, as companhias teriam 36% da receita total vinda de fontes limpas.

Fusões e aquisições aceleram a transição

Nos últimos dez anos, transações ligadas a energias verdes movimentaram US$ 4,1 trilhões, ou 13% do valor global de M&A. A estratégia de compra de ativos prontos ou de rivais menores tem encurtado o caminho para que empresas tradicionais aumentem a fatia de receitas sustentáveis.

O que observar daqui para frente

  • Volatilidade cambial: oscilações do dólar influenciam o custo de projetos renováveis, normalmente precificados na moeda americana.
  • Ciclo de juros: em ambientes de taxas mais altas — no Brasil, representadas pela Selic —, projetos de longo prazo tendem a exigir retorno maior, o que pode mudar a avaliação de risco.
  • Incentivos fiscais: mudanças em subsídios ou créditos de carbono podem alterar a rentabilidade de setores como eólico e solar.

Para quem acompanha o mercado, os números reforçam a consolidação da transição energética como tema estrutural da economia global. Entender como cada empresa gera sua receita — e quais condições macroeconômicas podem afetá-la — ajuda a avaliar riscos e oportunidades de maneira mais consciente.

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