As negociações de sexta-feira (15) terminaram com avanço generalizado na curva de juros futuros brasileira. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 saltou 17 pontos-base, a maior variação do dia, enquanto o vértice de 2036 ganhou 15 pontos-base. Mesmo os contratos de curtíssimo prazo — janeiro de 2027 — subiram, sinal de que o mercado cobra um prêmio maior para carregar títulos locais em meio a um cenário de alta aversão ao risco.
Os DIs funcionam como termômetro das apostas para a Selic. Quando as taxas futuras sobem, significa que investidores pedem retorno extra para compensar riscos de inflação, câmbio ou incerteza fiscal. Nesta sessão, dois fatores pesaram:
Com a curva mais inclinada, títulos públicos atrelados ao CDI ou prefixados tendem a oscilar mais. Quem aplica em Tesouro Prefixado, por exemplo, verá o preço de mercado cair quando as taxas sobem, ainda que o rendimento contratado até o vencimento se mantenha. Já os fundos multimercado, que usualmente carregam posições em DI futuro, podem apresentar volatilidade maior.
No pano de fundo internacional, a frustração com a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China manteve o impasse no Oriente Médio. O barril do Brent se aproximou de US$ 110, reacendendo temores de inflação de energia. Esse movimento fortalece a visão de juros elevados por mais tempo, tanto lá fora quanto em economias emergentes.
Imagem: Liliane de Lima
Para o investidor de perfil conservador, o momento exige atenção ao prazo dos títulos e à liquidez da carteira. Já quem busca diversificação precisa monitorar a correlação entre ativos locais e externos, pois a volatilidade tende a permanecer enquanto persistirem pressões geopolíticas e dúvidas fiscais.
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