Relator ajusta projeto que mira big techs e promete excluir empresas fora do alcance da nova regra

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro18 horas atrás10 Visualizações

O projeto de lei que trata da concorrência em mercados digitais ganhará ajustes para deixar explícito quais empresas serão, de fato, enquadradas na futura regulação. O relator, deputado Aliel Machado (PV-PR), afirmou que pretende entregar em junho um parecer com critérios mais objetivos, aliviando a preocupação de setores que temem custos adicionais.

O que muda no Cade

Hoje o Cade só age depois que recebe denúncia ou quando um processo é aberto. O texto em discussão cria uma nova superintendência capaz de atuar ex-ante, isto é, antes que um monopólio se consolide ou que práticas anticompetitivas causem danos irreversíveis.

  • Poder para pedir dados às plataformas.
  • Autorização para impor medidas preventivas.
  • Multas de 0,1% a 20% do faturamento global da empresa.

Quem entra, quem fica fora

O governo propôs que apenas grupos com faturamento mínimo de R$ 5 bilhões no Brasil ou R$ 50 bilhões no mundo sejam avaliados. Empresas de menor porte e negócios que não operam como ecossistema digital — fintechs iniciantes, varejistas puramente físicas ou startups recém-criadas — tendem a ficar fora do raio de ação.

Segundo o relator, a versão final deve citar explicitamente “ecossistemas fechados” para impedir a interpretação de que bancos, seguradoras ou companhias industriais seriam afetados apenas pelo porte.

Por que isso importa para o investidor

  • Risco regulatório: recibos de ações de big techs negociados na B3 (como Apple, Amazon, Meta ou Alphabet) podem precificar o novo ambiente de supervisão.
  • Concorrência doméstica: a mudança pode facilitar a entrada ou o crescimento de empresas menores no e-commerce, delivery e meios de pagamento, impactando players listados ou que planejam abrir capital.
  • Cade acelerado: decisões mais rápidas reduzem incerteza jurídica, mas aumentam a probabilidade de obrigações ou multas ainda durante a fase de crescimento das plataformas.

Casos citados como exemplo de abuso

Machado mencionou três situações que evidenciam a necessidade de atuação preventiva:

Relator ajusta projeto que mira big techs e promete excluir empresas fora do alcance da nova regra - Imagem do artigo original

Imagem: aplicativo protestam ctra o PLP

  • Smartphone que bloqueia pagamento por Pix por aproximação.
  • iFood exigindo exclusividade de restaurantes, dificultando a entrada de concorrentes.
  • Amazon relegando a posições inferiores vendedores que negociem em outras plataformas com taxas menores.

As companhias envolvidas negam prática anticoncorrencial e alegam seguir acordos com o Cade.

Conexão internacional

Os Estados Unidos e a União Europeia avançam em regras semelhantes — o Digital Markets Act europeu e processos abertos pelo Departamento de Justiça americano. O alinhamento de agendas reduz o risco de retaliações comerciais e mostra que o Brasil não atua de forma isolada.

Próximos passos no Congresso

  • Parecer deve ser protocolado em junho.
  • Votação na Câmara é esperada até julho, antes do recesso eleitoral.
  • Depois, o texto segue para o Senado.

Para o investidor iniciante, o ponto central é compreender que o debate não trata de conteúdo ou liberdade de expressão, mas de regras de mercado. Caso aprovado, o projeto tende a elevar o custo de conformidade das grandes plataformas, mas também pode abrir espaço para mais competição — fator que costuma beneficiar o consumidor final e, no longo prazo, ampliar o leque de oportunidades na Bolsa.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...