Um levantamento realizado pela consultoria especializada em criptoativos Novora analisou mais de 150 protocolos e concluiu que a divulgação de termos firmados com market makers é praticamente inexistente no setor. Segundo o relatório, menos de 1% dos projetos tornam públicas essas informações.
No universo pesquisado — que engloba exchanges descentralizadas, plataformas de empréstimos, serviços de contratos perpétuos, redes de camada 1 e camada 2, pontes de ativos e tokens vinculados a exchanges centralizadas — apenas o protocolo de liquidez descentralizada Meteora publicou detalhes de seus acordos, citados em seu Relatório Anual de Detentores de Token de 2025.
Os projetos avaliados possuem valores de mercado totalmente diluídos que variam de aproximadamente US$ 40 milhões a US$ 45 bilhões. Para medir a transparência, a Novora aplicou um modelo binário que considera divulgação oficial e cobertura por fontes terceiras, consultando bases públicas como Artemis, Token Terminal, Dune, DefiLlama e Blockworks Research.
O fundador da Novora, Connor King, afirmou na rede X que esta é “a lacuna de transparência mais significativa da indústria”. Ele destacou que, em mercados tradicionais, acordos materiais com formadores de mercado são divulgados rotineiramente, enquanto, no segmento cripto, participantes atuam sem acesso a essas informações.
O estudo também revela um hiato geral em relações com investidores. Embora 91% dos protocolos gerem receitas rastreáveis, apenas 18% publicam atualizações trimestrais e somente 8% emitem relatórios para detentores de tokens, indicando que os dados existem, mas raramente são apresentados de forma estruturada.
Ao mesmo tempo, a infraestrutura de análise de terceiros amadureceu: plataformas de dados já cobrem mais de 85% dos protocolos examinados, sugerindo que as informações estão acessíveis, porém pouco formalizadas em relatórios oficiais.
Imagem: cointelegraph.com
Segundo a Novora, protocolos de contratos perpétuos e exchanges descentralizadas lideram em divulgação de métricas de valor, enquanto redes de camada 1 e projetos de infraestrutura apresentam desempenho inferior, apesar de capitalizações maiores.
A falta de clareza nos contratos com market makers tem sido alvo de críticas, sobretudo em estruturas de empréstimo de tokens que podem incentivar a venda dos ativos no mercado, pressionando preços e liquidez. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) já processou formadores de mercado cripto por suposta manipulação de preços.
Um modelo comum citado no setor é o “loan option”, no qual o projeto empresta tokens ao market maker para prover liquidez e realizar operações de negociação, muitas vezes vinculadas a acordos de listagem. Especialistas apontam que o formato pode estimular a venda dos tokens emprestados, prejudicando o desempenho dos projetos em estágio inicial.
Para a Novora, o avanço da transparência sobre esses acordos é essencial para alinhar a indústria cripto às práticas de divulgação observadas em mercados financeiros tradicionais.