ETFs crescem 30% em um ano e encurtam distância para fundos tradicionais nos EUA

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios11 horas atrás8 Visualizações

Os exchange-traded funds (ETFs) seguem ganhando espaço no mercado norte-americano. Dados do Institute of Business & Finance (IBF) mostram que o patrimônio dos ETFs listados nos Estados Unidos alcançou US$ 13,5 trilhões no fim de 2025, avanço anual de 30%. Já os fundos mútuos somaram US$ 31,4 trilhões, alta de 10% no mesmo período.

Embora ambos permitam que o investidor compre, em uma única aplicação, uma cesta diversificada de ativos, há diferenças importantes que influenciam custos, tributação e liquidez. A seguir, veja o que muda – e por que esse debate também interessa a quem investe no Brasil, onde ETFs listados na B3 vêm crescendo em volume negociado.

O que impulsiona o crescimento dos ETFs

  • Liquidez intradiária: como uma ação, o ETF pode ser comprado ou vendido a qualquer momento do pregão, permitindo ajustes táticos rápidos.
  • Crescimento das estratégias passivas: o IBF calcula que os fundos passivos (ETFs e mútuos) já somam US$ 19,3 tri, superando o volume administrado ativamente nos EUA.
  • Busca por eficiência de custos: estruturas automatizadas e de menor giro de carteira geralmente resultam em taxas mais baixas do que as cobradas por gestores ativos.

Como cada veículo é negociado

  • ETFs: preço atualizado em tempo real na bolsa, sujeito ao spread entre compra e venda. Em ETFs pouco negociados, esse custo pode aumentar.
  • Fundos mútuos: cotação definida apenas uma vez ao dia, após o fechamento do mercado. Todos os investidores recebem o mesmo preço, calculado pelo valor patrimonial líquido (NAV).

Para o investidor iniciante, a principal diferença prática está na flexibilidade: quem precisa de liquidez instantânea tende a preferir ETFs; quem faz aportes periódicos sem se preocupar com oscilações intradiárias pode enxergar pouca vantagem nessa característica.

Tributação e eficiência fiscal

  • ETFs: nos EUA, as trocas de cotas ocorrem majoritariamente entre investidores, e a renovação da carteira se dá “in kind”, ou seja, com entrega de títulos em vez de venda de papéis. Isso reduz a realização de ganhos de capital dentro do fundo.
  • Fundos mútuos: podem ser forçados a vender ativos para honrar resgates, gerando ganhos que são distribuídos a todos os cotistas – inclusive aos que não resgataram.

No mercado brasileiro, o princípio é semelhante: ETFs listados na B3 são tributados como ações (alíquota de 15% para operações comuns) e apenas no momento da venda, enquanto fundos de investimento tradicionais recolhem imposto semestralmente pelo sistema de “come-cotas”. Essa diferença ajuda a explicar o interesse crescente por ETFs quando o objetivo é eficiência fiscal de longo prazo.

ETFs crescem 30% em um ano e encurtam distância para fundos tradicionais nos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

Gestão ativa x passiva

Historicamente, a maioria dos ETFs replica índices de forma passiva, mas os chamados active ETFs ganharam tração nos EUA em 2025, segundo o IBF. Já os fundos mútuos contam com larga tradição de gestão ativa e, por regra, divulgam a carteira em intervalos mais espaçados (mensal ou trimestral). Para gestores que buscam proteger sua estratégia, esse sigilo é visto como vantagem competitiva.

O que observar antes de escolher

  • Objetivo de investimento: construção de reserva de longo prazo, operações táticas ou exposição a setores específicos.
  • Perfil tributário: conta em corretora norte-americana, previdência, conta brasileira sujeita ao come-cotas, entre outros.
  • Liquidez necessária: necessidade de entrar ou sair da posição durante o dia.
  • Custo total: além da taxa de administração, avalie spread, corretagem e eventuais taxas de performance.

Com o avanço de produtos inovadores, como ETFs temáticos ligados à inteligência artificial e à memória de dados, as prateleiras de corretoras no Brasil e no exterior ficam cada vez mais cheias. Entender as distinções básicas entre ETFs e fundos tradicionais ajuda o investidor a alinhar escolhas ao próprio planejamento financeiro – evitando surpresas com prazos de liquidação, imposto ou custo de transação.

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