
Os Estados Unidos impuseram restrições à MEXC Global sob acusações de facilitar US$ 16 bilhões em transações ilícitas relacionadas ao Irã, à Rússia e à Coreia do Norte. A decisão impede instituições financeiras americanas, incluindo corretoras de criptomoedas que atuam no país, de transferir recursos de ou para a plataforma.
Em manifestação publicada em 7 de novembro de 2026, a MEXC informou que está examinando a ordem com suas equipes jurídicas e de compliance, responsáveis pelos controles de conformidade. A empresa afirmou que suas operações seguem normais e que os ativos dos usuários estão seguros.
O comunicado da corretora identifica a Rede de Combate a Crimes Financeiros dos EUA (FinCEN) como responsável pela ordem, emitida em 6 de novembro de 2026. Há uma divergência na identificação do órgão: a medida também é atribuída ao Departamento de Justiça americano, enquanto a manifestação da MEXC cita expressamente a FinCEN.
De acordo com a FinCEN, a MEXC mantém políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e de identificação de clientes. Essas regras incluem a proibição de uso dos serviços por investidores do Irã e da Coreia do Norte. A avaliação das autoridades, porém, é que deficiências graves nos sistemas da corretora permitiram contornar as sanções.
Entre as operações apontadas estão transações com a Garantex, cuja operação foi derrubada pelos Estados Unidos e reaberta pouco depois sob o nome Grinex. As autoridades também citam envolvimento com as entidades russas A7 e A7A5, igualmente submetidas a sanções americanas.

Outro ponto da acusação é o processamento de aproximadamente US$ 1 bilhão em transações de criptomoedas para mais de 40 corretoras iranianas, além do Banco Central do Irã e do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Todos são apontados como alvos de sanções dos Estados Unidos e de seus aliados.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou que as instituições financeiras precisam escolher entre apoiar o regime iraniano e ter acesso ao sistema financeiro americano. Segundo ele, o Tesouro continuará atuando para cortar o financiamento econômico do regime e impedir tentativas de contornar as sanções por meio de ativos digitais.
Fundada em 2018, a MEXC movimentou mais de US$ 1 bilhão por dia em setembro de 2026 e mantinha aproximadamente US$ 5 bilhões em reservas, conforme os dados apresentados pela FinCEN.
O CoinMarketCap posiciona a plataforma entre as dez maiores corretoras de criptomoedas do mundo, entre KuCoin e HTX.
Dados do SimilarWeb registram 18 milhões de visitas à corretora em setembro. Uzbequistão, Paquistão, Índia, Filipinas e Singapura respondem pela maior parte desse tráfego.

Ao responder à medida nas redes sociais, a MEXC declarou que leva as preocupações das autoridades a sério e pretende manter diálogo construtivo com a FinCEN, além de outros reguladores e autoridades competentes ao redor do mundo.
A afirmação de que os ativos dos clientes permanecem seguros é da própria empresa. A corretora também informou que acompanhará o caso e divulgará novas informações em seus canais oficiais.
Como providência já iniciada, a MEXC anunciou uma revisão independente de seus controles de prevenção à lavagem de dinheiro, identificados pela sigla AML, e de cumprimento das sanções.
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