A Estrada de Ferro 118 (EF-118), planejada para ligar o porto do Açu (RJ) à malha Vitória-Minas (ES) em 246 km, virou alvo de um impasse entre o Ministério dos Transportes e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão de patrimônio exige varredura arqueológica em faixa de 500 m de cada lado da linha, muito além dos 30 a 50 m usuais em projetos lineares.
Desde 2025, uma instrução normativa do Iphan determina que a análise arqueológica considere toda a Área de Influência Direta (AID) do empreendimento, e não apenas a Área Diretamente Afetada (ADA). O objetivo é detectar vestígios de ocupação humana antiga, evitando perdas irreversíveis.
Para a estatal Infra S.A., responsável pela etapa inicial do licenciamento, a medida seria “desproporcional”. Só no trecho entre Anchieta e Presidente Kennedy, o mapeamento exigido cobriria 7.333 hectares — quase três vezes o tamanho de Fernando de Noronha —, demandando tempo e recursos superiores aos previstos.
O edital do leilão, inicialmente prometido para março, já foi adiado para agosto; o leilão passou de junho para outubro. Embora a licença prévia não seja obrigatória para publicar o edital, o atraso no licenciamento pode afugentar potenciais interessados ou encarecer propostas, pois o concessionário assume incertezas adicionais.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Infra S.A. informou que negocia uma “metodologia proporcional” ao traçado, combinando prospecção de campo na ADA com análise bibliográfica na AID. Caso não haja acordo, a licença ambiental emitida pelo Ibama não sai, pois depende da anuência do Iphan.
Para o investidor, vale acompanhar o Diário Oficial em agosto. A publicação — ou não — do edital dará o tom sobre a disposição do governo em viabilizar o projeto no curto prazo.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.