As vendas de petróleo bruto do Brasil para a China alcançaram recorde histórico de US$ 7,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, valor 95% superior aos US$ 3,7 bilhões registrados em igual período de 2025.
Em volume, o salto foi de 122%, passando de 7,4 mil para 16,5 mil toneladas, mostram dados do governo federal compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
A escalada do conflito no Irã, deflagrada no início de março, pressiona rotas que passam pelo estreito de Hormuz — por onde transita quase 40% do óleo consumido pela China. Diante do risco, Pequim intensificou a diversificação de fornecedores, e o Brasil, já presente no mercado chinês por meio da Petrobras, tornou-se alternativa natural.
No trimestre, o petróleo respondeu por 30% das exportações brasileiras para a China, 11,2 pontos percentuais acima da fatia registrada um ano antes. Somente em março, mês em que a guerra começou, 65% do petróleo brasileiro vendido ao exterior teve como destino portos chineses; a média do trimestre ficou em 57%.
Para Aldren Vernersbach, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), “a busca chinesa por segurança energética ganha urgência com a instabilidade no Oriente Médio”. Até o início do conflito, cerca de metade das importações de óleo da China vinha daquela região.
O apetite por petróleo brasileiro aumentou ainda na Índia, cujas compras avançaram 78% no comparativo anual e somaram US$ 1 bilhão no primeiro trimestre. O movimento ocorre após acordo entre o governo indiano e Donald Trump para reduzir a dependência de barris russos.
Além do petróleo, a China ampliou a compra de carne bovina brasileira em 33,8%, totalizando US$ 1,8 bilhão — maior patamar já visto para os três primeiros meses do ano. As exportações de ferroligas quase dobraram, atingindo US$ 478 milhões, sendo 63% de ferronióbio e 29% de ferroníquel.
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Na soma de todos os produtos, as exportações do Brasil para a China cresceram 21,7% e chegaram a US$ 23,9 bilhões, maior resultado da série histórica para o período de janeiro a março. A indústria extrativa respondeu por 49% do total, oito pontos percentuais a mais que em 2025.
As compras brasileiras originárias da China caíram 6% no trimestre, para US$ 17,9 bilhões. A base de comparação, porém, inclui a importação excepcional de um navio-plataforma em 2025; sem esse efeito, haveria alta de 9,3%.
Entre as importações, chamam atenção os veículos eletrificados (híbridos plug-in e 100% elétricos), cujo valor saltou 7,5 vezes e atingiu US$ 1,23 bilhão, representando 6% do total adquirido no período. Importadores antecipam pedidos antes do aumento gradual das tarifas, atualmente em 28% para híbridos plug-in e 25% para elétricos, que subirão a 35% em julho.
Também cresceram as compras de baterias recarregáveis de lítio: 8,1 mil toneladas (+49%) e US$ 160 milhões (+37%).
Com exportações em alta e leve queda das importações, o superávit comercial brasileiro com a China ampliou-se no primeiro trimestre de 2026.