
Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos bitcoins, afirmou em depoimento às autoridades que possui uma carteira de criptomoedas com recursos suficientes para quitar todas as dívidas da GAS Consultoria com seus credores, mas disse não saber a senha de cabeça. A declaração foi feita em 2025 e exibida pelo Fantástico no domingo, 6 de setembro de 2026. Cerca de 77 mil credores da empresa aguardam a devolução de valores.
“Eu não sei a senha de cabeça, mas a fortuna está lá em uma cold wallet”, declarou Glaidson. O programa apresentou trechos de depoimentos dele e de sua esposa, a venezuelana Mirelis Zerpa, a partir de imagens vazadas. Ambos continuam presos no Brasil e alegam inocência perante a Justiça.
A afirmação de que o saldo permitiria pagar os credores não veio acompanhada de um valor: ao ser questionado, Glaidson se recusou a informar quanto havia na carteira, sob a justificativa de que a divulgação poderia ameaçar sua segurança física.
Preso desde 2021, ele já havia afirmado ter uma carteira com milhões em criptomoedas que serviria como sua aposentadoria. Permanece incerto se os recursos mencionados para uma eventual devolução aos clientes estão em outra carteira ou se todo o montante está reunido em uma só.
A aparência mais magra de Glaidson nos depoimentos também provocou brincadeiras de internautas sobre um possível uso de medicamentos, como canetas emagrecedoras, na prisão federal onde ele está sob custódia. Os comentários foram feitos em tom de brincadeira, não como informação confirmada sobre uso de remédios.
A GAS interrompeu os pagamentos a clientes, parceiros e demais credores quando foi alvo da Polícia Federal na Operação Kryptos, deflagrada em 2021. A lista de falência da empresa reúne aproximadamente 77 mil credores registrados perante a Justiça à espera de restituição.
Sob suspeita de ter movimentado R$ 38 bilhões, a GAS é apontada como uma das maiores pirâmides financeiras que entraram em colapso no Brasil. A quebra comprometeu as finanças de famílias, inclusive em Cabo Frio (RJ), onde ficava a sede da empresa.
Em nota enviada ao Fantástico, Mirelis afirmou que não participava da administração da GAS e que sua atuação se limitava à função de trader da empresa. Ela atribuiu ao marido, preso havia cinco anos, toda a responsabilidade pelo colapso.
A defesa de Glaidson, por sua vez, sustentou que ele é inocente e negou sua culpa nas acusações, inclusive nas relacionadas a uma tentativa de homicídio e a outro homicídio consumado.
Sobre o ressarcimento, a defesa de Glaidson e Mirelis informou ao Fantástico que considera a lista de credores incorreta. Por esse motivo, contesta o valor a ser devolvido, que ainda deverá ser divulgado publicamente.
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