Fiagros retomam captações e preenchem vazio deixado pelos bancos no agro

Felipe MartinsFelipe MartinsEstratégias de investimento10 horas atrás14 Visualizações

Os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) voltaram a ganhar tração em 2026. Entre janeiro e abril, as emissões somaram R$ 3,96 bilhões, alta de 128% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Anbima. No total, 36 operações chegaram ao mercado, contra 15 no ano anterior.

Por que o agro ficou sem crédito bancário

O agronegócio enfrenta um aperto de liquidez. Bancos reduziram linhas de financiamento temendo a alta da inadimplência após uma safra marcada por custos maiores de insumos, preços internacionais mais baixos e um dólar mais fraco. Com a Selic ainda em dois dígitos, o crédito tradicional ficou caro, abrindo espaço para alternativas via mercado de capitais.

Fiagros ocupam o espaço vazio

  • Em maio, o Suno Agro Fiagro (SNAG11) captou R$ 307 milhões, elevando seu patrimônio a R$ 900 milhões.
  • A JiveMauá está perto de concluir oferta de R$ 400 milhões.
  • Com essas operações, o patrimônio total do segmento deve ultrapassar R$ 50 bilhões.

A captação acontece mesmo num ambiente de cautela, marcado por juros elevados e tensão geopolítica que pressiona custos, observa Gustavo Gomes, da XP Asset.

Estruturas de subordinação ganham espaço

Para mitigar o risco de calote, grande parte das novas ofertas adotou o modelo com duas classes de cotas:

  • Sênior – rendimento definido e prioridade no recebimento.
  • Subordinada – assume primeiro as perdas, mas pode capturar ganhos extras se não houver atrasos.

Na prática, a gestora costuma ficar com a fatia subordinada, funcionando como “colchão” de segurança para o investidor que compra as cotas sênior.

Rendimentos alinhados ao CDI e isenção fiscal

Parte dos Fiagros oferece retorno próximo ao CDI acrescido de 2% a 4% ao ano, segundo a Suno Asset, além de isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Mesmo assim, especialistas ressaltam que o investidor precisa avaliar:

  • qualidade das garantias;
  • histórico de inadimplência da carteira;
  • capacidade da gestora em monitorar o risco dos recebíveis.

Liquidez melhora, mas seleção continua crucial

Após dois anos mais fracos, a liquidez dos Fiagros listados na B3 mostra sinais de recuperação, aponta Guilherme Grhal, da Valora, que captou R$ 662 milhões em março. Ainda assim, os retornos já não são tão elevados quanto os observados no lançamento da indústria, em 2021, reflexo da maior competição e do cenário macroeconômico mais apertado.

O que observar daqui para frente

  • Segundo semestre pode trazer volatilidade adicional por causa das eleições presidenciais.
  • Manutenção da Selic em patamar elevado tende a preservar o apelo de rendimentos atrelados ao CDI.
  • Qualquer mudança brusca no dólar ou nos preços das commodities agrícolas pode afetar a capacidade de pagamento dos produtores.

Para o investidor iniciante, entender como o fundo se protege contra atrasos – seja por subordinação de cotas ou garantias reais – é tão importante quanto olhar a taxa prometida. A expansão dos Fiagros mostra que o mercado de capitais segue disposto a financiar o campo, mas a seleção dos ativos ganhou uma dose extra de rigor.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...