Fitch rebaixa Raízen (RAIZ4) a default restrito após aprovação de plano para dívidas

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções2 horas atrás8 Visualizações

A Fitch Ratings rebaixou, na quinta-feira, 22 de outubro, as notas de crédito da Raízen (RAIZ4) e de sua subsidiária Raízen Energia para default restrito, categoria que corresponde a nível de calote em determinadas obrigações financeiras. A decisão ocorreu após a aprovação do plano de recuperação extrajudicial do grupo, que prevê renegociar cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas.

Para a agência, o acordo caracteriza inadimplência por modificar as condições originalmente contratadas com os credores. Com a implementação do plano, os pagamentos das dívidas incluídas ficam suspensos, enquanto os juros são capitalizados até o encerramento da reestruturação. Essas condições alcançam também os credores que não aceitaram a proposta.

O corte levou as classificações de longo prazo das duas empresas de “C” para “RD”, tanto em moeda local quanto estrangeira. Na escala nacional, as notas passaram de “C(bra)” para “RD(bra)”.

Aumento de capital depende dos acionistas e envolve risco de diluição

Em paralelo à renegociação com os credores, a Raízen busca fortalecer sua estrutura de capital. Na quarta-feira, 21 de outubro, a companhia anunciou a intenção de realizar um aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões, com emissão de novas ações ordinárias e preferenciais. A proposta prevê subscrição mínima de 14 bilhões de papéis, a R$ 0,25 por ação.

A operação ainda precisa da aprovação dos acionistas. Caso seja concretizada, poderá reforçar a estrutura financeira da empresa e permitir o avanço de etapas da renegociação. Entre as alternativas previstas no plano estão a conversão de parte da dívida em ações, a emissão de novos títulos e a extensão dos prazos de pagamento.

Para quem já é acionista, a emissão traz o risco de diluição — redução da participação no capital da companhia — caso não exerça seus direitos de preferência.

O aumento de capital está inserido em um conjunto de propostas de mudanças societárias que também inclui a reformulação do conselho, a criação de novas classes de ações e uma redução de capital de até R$ 35 bilhões.

Separação das operações ainda precisa ser implementada

Outra frente da reorganização é a separação das atividades em duas empresas: a Raízen Energia, que concentra açúcar, etanol e bioenergia, e a Raízen Combustíveis, responsável pela distribuição de combustíveis no Brasil.

Em outubro, os acionistas da Raízen Energia aprovaram o pedido de listagem da subsidiária no Nível 2 de governança corporativa da B3. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também aprovou a mudança do registro da empresa da categoria B para a categoria A, permitindo a realização de ofertas públicas de ações (IPOs) e de outros valores mobiliários.

Essas iniciativas fazem parte do plano de reorganização e buscam simplificar a estrutura do grupo. A separação dos negócios, porém, ainda não foi implementada.

Revisão das notas está condicionada à conclusão da renegociação

A Fitch ressalta que o risco de execução permanece enquanto as mudanças não estiverem concluídas. Uma eventual revisão das notas de crédito depende do término da renegociação, quando a agência poderá examinar a estrutura de capital resultante, a liquidez, o perfil dos vencimentos e a capacidade de pagamento das duas empresas.

Se o plano não avançar como previsto, a companhia poderá enfrentar um cenário mais grave, com possibilidade de liquidação ou recuperação judicial dos emissores.

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