Flávio Bolsonaro vai a Washington defender Pix em investigação dos EUA sobre prejuízo a empresas americanas

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro3 horas atrás18 Visualizações

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que viajará a Washington para participar de audiência pública na próxima terça-feira (7) no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão investiga se o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, estaria causando prejuízos a empresas americanas e cogita impor tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros.

O que está em jogo

  • O USTR abriu procedimento após lobby de companhias ligadas a meios de pagamento, que reclamam da perda de receitas com taxas de cartões.
  • Se o “tarifaço” avançar, exportadores brasileiros podem ver seus custos subirem justamente num momento de câmbio volátil e juros ainda elevados nos EUA.
  • Para mitigar o risco, Flávio enviou dossiê oferecendo contrapartidas, como zerar a tarifa do etanol americano e reduzir impostos de bandeiras de cartão no Brasil.

Por que o Pix incomoda?

Lançado pelo Banco Central em 2020, o Pix permite transferências gratuitas para pessoas físicas e baratas para empresas, funcionando 24 horas. O modelo pressiona as margens de redes internacionais de cartão e de adquirentes que operam nos dois países. Nos Estados Unidos, o banco central local lançou o FedNow, também instantâneo, mas ainda com escala menor, o que abriu discussão sobre concorrência.

A proposta de Flávio Bolsonaro

  • Defesa do Pix: o senador sustenta que não há subsídio público nem favorecimento regulatório que configure prática desleal de comércio.
  • Compromisso legislativo: sugere blindar o Pix contra conexões “não ocidentais”, em referência à China, para ganhar apoio do Congresso americano.
  • Acordos comerciais: propõe tratar diretamente com Washington, citando a necessidade de o Brasil “se libertar das amarras” do Mercosul.

Impacto potencial para investidores

Para quem aplica em ações de exportadoras de commodities ou empresas ligadas a cadeias globais, a ameaça de tarifa de 25% adiciona incerteza. Um aumento de custos pode afetar margens e fluxo de caixa, refletindo nos preços dos papéis.

Já no câmbio, novas barreiras comerciais costumam pressionar o real, pois reduzem expectativa de entrada de dólares via exportação. Isso pode influenciar posições em fundos cambiais e na alocação entre renda fixa pós-fixada (que acompanha a Selic) e investimentos atrelados ao dólar.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Próximos passos

  • A audiência de terça-feira é pública, mas o parecer do USTR costuma sair semanas depois.
  • Congressistas americanos podem apresentar projetos de lei reforçando, suavizando ou anulando eventuais tarifas.
  • No Brasil, o debate deve ganhar espaço na pré-campanha presidencial, colocando políticas de inovação financeira no centro da disputa.

Investidores iniciantes devem acompanhar não só o desfecho da investigação, mas também o comportamento do dólar e das ações ligadas a exportação. Qualquer decisão do USTR sobre tarifas comerciais tende a reverberar no humor da bolsa brasileira e nos rendimentos de títulos federais indexados à moeda americana.

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