Flávio associa Lula a Moraes em ato na Paulista e promete recuperar credibilidade do Judiciário

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções9 minutos atrás6 Visualizações

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usou seu discurso no ato do Dia da Independência, na Avenida Paulista, em São Paulo, para associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na tarde de segunda-feira, 7 de setembro de 2026, prometeu recuperar a credibilidade do Judiciário caso seja eleito.

A manifestação reuniu milhares de pessoas sob tempo fechado e temperatura de aproximadamente 12 ºC. Flávio abriu sua participação repetindo o mote do ato: “Primeiramente, fora Lula, fora Moraes”. O candidato também declarou que vencerá a disputa presidencial no primeiro turno e disse querer ser “o libertador da pátria”.

Promessa sobre o STF e críticas a Moraes

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio chamou a relação que atribui a Lula e Moraes de “consórcio” e afirmou que ela acabará. Segundo o candidato, votar no presidente equivale a votar no ministro.

Ao tratar da composição do Supremo, o senador disse que não permitirá que Lula indique mais quatro ministros como Moraes. Em seguida, prometeu fazer cinco indicações à corte, apoiando essa declaração na previsão de que Moraes deixará o tribunal: “Eu vou indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair”.

Flávio também chamou o magistrado de “laranja podre” e sustentou que sua presença não pode contaminar os demais integrantes do STF. Ao prometer trabalhar pela credibilidade do Judiciário, afirmou que seria necessário proteger a corte de Moraes e que o ministro não representa, sozinho, o Supremo, o Judiciário ou a magistratura.

Moraes chegou ao STF em 2017 por indicação do então presidente Michel Temer, que havia assumido a Presidência após o impeachment de Dilma Rousseff, do PT.

Relatório da PF e histórico de ataques ao ministro

As críticas a Moraes se intensificaram nos dias anteriores ao ato, depois que o ministro André Mendonça, também do STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento apresenta mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, dirigidas a Moraes, nas quais ele pergunta se o ministro poderia reverter investigações contra si.

Vorcaro também mantinha um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Os ataques de Flávio na Paulista retomam uma postura adotada por Jair Bolsonaro durante seu governo. O ex-presidente criticava frequentemente o magistrado e também utilizou manifestações de 7 de Setembro na avenida para atacá-lo. Em 2021, chamou Moraes de “canalha” e declarou que não obedeceria às suas decisões.

Em 2023, Moraes foi relator do processo no qual Jair Bolsonaro recebeu condenação por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar por razões de saúde.

Discurso eleitoral inclui alerta sem detalhes sobre interferência

Durante o comício, Flávio lembrou que, na véspera, haviam se completado oito anos do atentado a faca sofrido por seu pai na campanha presidencial de 2018. Classificou a condenação por golpe de Estado como uma “segunda facada” e afirmou que haveria uma terceira, dirigida a ele e a seus aliados.

O senador não detalhou a alegação. Ao se dirigir àqueles que, segundo ele, pretendem interferir nas eleições, disse que a tentativa não terá efeito e que está “de peito aberto”, acrescentando que ele e seus apoiadores são, juntos, mais fortes do que seus adversários.

Em uma reunião recente com diplomatas, Flávio havia colocado o sistema eleitoral brasileiro em dúvida sem apresentar evidências, recorrendo também a informações já conhecidamente falsas. Uma das condenações que tornaram Jair Bolsonaro inelegível decorre de uma reunião com embaixadores, realizada em 2022, na qual atacou as urnas eletrônicas.

A afirmação de vitória no primeiro turno repetiu uma declaração que Flávio já havia feito recentemente em entrevista à TV Globo. As pesquisas Datafolha e Quaest divulgadas na semana anterior ao ato, porém, mostravam Lula à frente no primeiro turno. Para o segundo turno, os levantamentos apontavam empate técnico entre os dois, com vantagem numérica para o petista. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro, menos de um mês depois da manifestação.

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