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Uma análise da TAG Investimentos voltou a colocar no centro da mesa a escolha entre aplicações atreladas ao CDI e títulos públicos indexados ao IPCA, dois pilares da renda fixa brasileira que costumam confundir quem está começando a investir.
Segundo o relatório, o CDI – taxa que reflete os juros de curto prazo e serve de referência para boa parte dos CDBs, LCIs e fundos DI – apresenta um risco “silencioso”: a necessidade de reinvestir diariamente a uma taxa real desconhecida. Em períodos em que a inflação acelera, a rentabilidade do CDI pode ficar abaixo do aumento de preços, corroendo o poder de compra.
Já os títulos do Tesouro indexados ao IPCA, como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, pagam uma taxa fixa mais a variação do índice oficial de preços. Na prática, o investidor sabe de antemão que sua remuneração real será positiva, desde que carregue o papel até o vencimento.
O estudo lembra que países com déficits fiscais elevados, como o Brasil, convivem com expansão da base monetária – medida pelo agregado M2, que cresceu em média 14,09% ao ano desde 2002. Para os analistas, esse movimento se traduz em pressão inflacionária cerca de 15 meses depois. Ou seja, mesmo quando choques de preços arrefecem, a dinâmica de moeda em circulação segue alimentando o IPCA.
Esse pano de fundo ajuda a entender por que o Tesouro IPCA ganhou relevância entre investidores preocupados com horizontes de décadas, principalmente num momento em que a Selic está em ciclo de queda: se os juros básicos recuam, a remuneração dos produtos atrelados ao CDI também diminui.
Imagem: Cecília de O
Embora destaque a superioridade dos títulos IPCA para metas de longo prazo, a TAG não descarta o CDI. Para a gestora, aplicações pós-fixadas seguem úteis como reserva de emergência ou para objetivos de curtíssimo prazo, graças à liquidez diária e à baixa volatilidade.
Ao reforçar que “o ativo livre de risco é aquele que paga as contas de amanhã”, o relatório reacende um debate essencial: proteger o patrimônio da inflação continua sendo um dos principais desafios do investidor brasileiro, especialmente em um país historicamente sujeito a choques de preços e ciclos de juros voláteis.
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