Fundo Guepardo detalha estratégia que entregou 11.500% em 25 anos e revela oito apostas da carteira

Felipe MartinsFelipe MartinsEstratégias de investimentoagora mesmo7 Visualizações

Um retorno médio de 21,1% ao ano — já líquido para o cotista — por um quarto de século não passa despercebido. É esse o histórico do fundo mais antigo da Guepardo Investimentos, gestora paulistana com R$ 5,96 bilhões sob gestão e uma rentabilidade acumulada superior a 11.500% desde maio de 2001.

Visão de longo prazo como alicerce

Na carta trimestral divulgada aos cotistas, a casa chefiada por Octavio Magalhães reforça a convicção de que “comprar boas empresas e carregá-las por longos períodos” continua sendo a forma mais eficaz de multiplicar patrimônio no mercado brasileiro. Segundo a gestora, a experiência adquirida em crises e euforias ajudou a desenvolver um controle emocional que modelos quantitativos não conseguem replicar — fator considerado crucial para atravessar ciclos de alta dos juros, choques de inflação ou volatilidade do dólar.

Por que isso importa para o investidor iniciante

  • Disciplina de longo prazo: o histórico mostra que, mesmo em um mercado volátil como o brasileiro, persistir em teses fundamentadas pode compensar.
  • Controle emocional: entender que cotações oscilam reduz a chance de vender na baixa ou comprar na alta, erro comum a quem está começando.
  • Diversificação setorial: a carteira abrange varejo, energia, saúde, infraestrutura e commodities, lembrando ao investidor que concentrar em poucos setores aumenta risco.

Oito empresas no radar da Guepardo

A seguir, as principais teses destacadas pela gestora e como cada negócio se encaixa em diferentes cenários econômicos.

  • Vulcabras (VULC3)
    A fabricante de calçados superou R$ 1 bilhão em receita em um único trimestre, com 22 resultados consecutivos de crescimento. Para a Guepardo, a empresa vende modelos de maior valor agregado sem depender de aumentar volume, combinando expansão de margem e participação de mercado.
  • Ultrapar (Ipiranga) – UGPA3
    A distribuição de combustíveis registrou a melhor margem em dois anos. A gestora vê impacto positivo do combate à sonegação no setor e aponta que a volatilidade do petróleo, agravada por tensões no Oriente Médio, pode privilegiar grandes distribuidoras com acesso a importação e contratos com a Petrobras.
  • Fleury (FLRY3)
    Após comprar o laboratório FEMME por R$ 207 milhões, especializado em saúde da mulher, a empresa reforça sua estratégia de aquisições com sinergia operacional. A Guepardo elogia a disciplina no preço pago e espera ganho de escala.
  • Allos (ALOS3)
    Operadora de shoppings que a gestora classifica como “máquina previsível”. Entregou crescimento de 7,5% no EBITDA e projeta dividendos mensais de R$ 0,29 por ação em 2026, com alavancagem abaixo de duas vezes.
  • Rumo (RAIL3)
    A principal ferrovia de grãos do país ajustou tarifas em 2025 para ganhar volume. A gestora interpreta o movimento como reposicionamento estratégico e vê o encarecimento do diesel favorecendo o transporte ferroviário.
  • Gerdau (GGBR4)
    Cerca de 73% do EBITDA vem da operação norte-americana, enquanto a unidade brasileira sofre com aço importado da China. Medidas de defesa comercial recentes podem reequilibrar o jogo, segundo a carta.
  • Klabin (KLBN11)
    Mesmo após um trimestre de paradas de manutenção, a gestora destaca a desalavancagem e o portfólio diversificado da produtora de papel e celulose.
  • Grupo Mateus (GMAT3)
    Margens apertadas e vendas em queda marcaram o início de 2026, mas a companhia anunciou corte de despesas de R$ 400 milhões por ano. Para a Guepardo, a agenda de eficiência independe da conjuntura macro no curto prazo.

Entendendo alguns termos

  • EBITDA: sigla em inglês para “lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização”. Funciona como termômetro de geração de caixa operacional.
  • Margem: percentual do lucro em relação à receita. Margem maior indica que a empresa ganha mais por cada real vendido.
  • Alavancagem: relação entre dívida líquida e EBITDA. Quanto menor, maior a folga financeira.

O que fica para o investidor

A trajetória do fundo reforça a relevância de paciência e estudo para quem pretende alocar parte do patrimônio em ações. Ainda que os 21,1% ao ano da Guepardo sejam difíceis de replicar, o principal recado da gestora é a consistência: sobreviver no mercado, resistindo a ciclos de juros, inflação e câmbio, já é considerado por eles o “maior prêmio” de todos.

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