São Paulo, 22 de abril de 2026 – A maior parte dos fundos de ações segue à frente do Ibovespa em 2026. De janeiro até 14 de abril, o índice acumula alta de 23,29%, enquanto algumas carteiras entregam valorização próxima de 35%, mostram dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Os Fundos de Investimento em Participações – FGTS lideram o ranking, com ganho médio de 34,75% no ano e 6,80% em abril. Na sequência aparecem os fundos de “mono ação”, focados em um único papel – geralmente Petrobras –, com 33,82% no acumulado de 2026 e 3,73% no mês. Já os produtos indexados, que replicam índices de mercado, sobem 22,40% no ano e 5,87% em abril.
Em sentido oposto, as carteiras direcionadas a companhias de menor porte avançam 9,13% em 2026 e 4,78% no mês, abaixo do principal indicador da Bolsa. No segmento “small caps”, o índice SMLL sobe 10,93% no ano e 4,92% em abril.
Apesar da performance, os fundos de ações registram resgates líquidos. Entre 1º de janeiro e 14 de abril, as saídas somam R$ 7,1 bilhões. No mesmo intervalo, apenas os fundos que aplicam no exterior atraem recursos, com captação positiva de R$ 38,73 bilhões.
Na B3, o cenário é oposto: investidores estrangeiros já ingressaram com R$ 68,5 bilhões em 2026, sendo R$ 14,7 bilhões apenas entre 1º e 15 de abril. Eles respondem por 61% do volume negociado no ano, impulsionando principalmente papéis de grande liquidez, como bancos e Petrobras, e influenciando a rentabilidade dos fundos locais.
Para Fabiano Cintra, responsável pela análise de fundos da XP, o fluxo externo decorre de preços ainda descontados no Brasil e de realocação global de capitais em meio ao ajuste das economias desenvolvidas. “Fundos passivos, como ETFs atrelados ao Ibovespa e ao MSCI Brasil, capturaram bem esse movimento”, afirma.
Entre os fundos long only (ativos que buscam superar o índice) e long biased (que combinam posições compradas e vendidas), boa parte também superou o Ibovespa, embora com resultados heterogêneos. Já as carteiras focadas em dividendos ficam atrás do índice, com avanço de 20,59% no ano, enquanto o IDIV sobe 21,14%.
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Os fundos de small caps sofrem mais em períodos de juros altos e aversão ao risco, explica Cintra. O segmento tende a reagir quando o ciclo de crédito melhora, mas apresenta maior volatilidade.
Cintra aconselha avaliar horizonte mínimo de cinco anos, tolerância a risco e diversificação. Para fundos passivos, recomenda conhecer a composição do índice, sua liquidez e a aderência do ETF ao indicador. Nos produtos ativos, o investidor deve observar o estilo de gestão e o comportamento em diferentes ciclos de mercado.
Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, lembra que a recente valorização foi guiada por fluxo e fatores macroeconômicos, favorecendo estratégias concentradas em large caps. Já Eduardo B. Marocke, da Faz Capital, aponta que, em janelas superiores a 36 meses, alguns gestores ativos, como o Real Investor Ações, superam o Ibovespa com folga, evidenciando a importância da análise de longo prazo.
Para Gustavo Assis, da Asset Bank, a gestão ativa segue atrativa diante da maior dispersão entre empresas. Ele reforça a necessidade de selecionar companhias com geração de caixa sólida e menor dependência de financiamento, além de considerar liquidez e horizonte de investimento.
Analistas concordam que o investidor não deve confundir retornos passados com garantias futuras. O monitoramento do cenário internacional, do ciclo de commodities e dos desafios domésticos — como eleições e ajuste fiscal — continua essencial para quem pretende ampliar a exposição à renda variável.