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O universo dos fundos de investimento vem ganhando espaço na pauta das redes sociais. Segundo a 10ª edição da pesquisa FInfluence, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros (Anbima) em parceria com o Ibpad, o número de menções a fundos – de ações, multimercado, renda fixa e imobiliários – aumentou 170% de 2020 a 2025, chegando a 76,5 mil citações.
Boa parte dessa expansão parte dos chamados finfluencers. Criadores individuais responderam por 61% das menções e concentraram 81,5% do engajamento total no período. O estudo mapeou 904 influenciadores atuando com finanças no segundo semestre de 2025, 22% a mais que um ano antes.
Para o investidor iniciante, a proliferação de conteúdo gratuito pode ser porta de entrada para assuntos até então vistos como complexos. Ao mesmo tempo, a avalanche de postagens reforça a necessidade de checar fontes e comparar informações antes de tomar decisões financeiras.
Entre os subtemas, os fundos imobiliários (FIIs) se destacaram. O Professor Baroni, especializado no setor, liderou o ranking nos FIIs, com 6.991 menções, superando o Economista Sincero (4.395). Já nos fundos tradicionais, a ordem se inverte: o Economista Sincero aparece em primeiro, com 3.833 menções, seguido de Baroni, com 2.974.
O interesse por FIIs também dialoga com o bolso do pequeno investidor. Ao permitir exposição ao mercado de imóveis sem a necessidade de comprar um prédio ou sala comercial, esses fundos viraram alternativa para quem busca rendimentos mensais em forma de dividendos.
A pesquisa mostra que publicações que explicam passo a passo como funcionam os fundos atraem o maior volume de reações: 9.306 interações em 2025. Na sequência aparecem postagens que citam fundos dentro de discussões sobre o cenário econômico e abordagens estratégicas, como comparação entre carteiras.
Quando falamos em engajamento, a métrica de interações por post passou de 3.150 em 2023 para 4.708 em 2024, um salto de 50%. Em 2025, o índice ficou em 4.734, superando a média dos demais conteúdos de finanças (2.757).
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Parte do avanço na discussão sobre fundos foi alimentada pela campanha “No fundo você pode”, lançada pela Anbima em julho de 2024 e veiculada até abril de 2025. O objetivo era popularizar o produto entre pessoas físicas, reforçando conceitos como liquidez, taxa de administração e adequação ao perfil de risco.
O YouTube respondeu por 53,5% das menções a fundos no segundo semestre de 2025, alta de 346% em relação a 2020. O formato em vídeo longo favorece explicações detalhadas de carteiras, demonstrações de simuladores e entrevistas com gestores. Já o Instagram aparece com 30% das publicações, aproveitando recursos como reels e lives para conteúdo mais enxuto.
A Anbima identificou que 42,1% das interações se relacionam a manifestações políticas ou comentários sarcásticos sobre o momento macroeconômico. Discussões sobre juros, inflação ou decisões governamentais acabam servindo de gatilho para que fundos – especialmente os imobiliários – entrem na conversa.
Para quem acompanha a movimentação de perto, vale lembrar que mudanças na taxa Selic afetam tanto a renda fixa quanto a forma como gestores posicionam suas carteiras. Em períodos de queda dos juros, por exemplo, há uma tendência de migração de parte dos investidores para produtos de maior risco, elevando o interesse por fundos de ações e multimercados.
O salto nas menções indica um amadurecimento do ecossistema de educação financeira digital no Brasil. Apesar do volume de conteúdo disponível, fundamentos como conhecer o regulamento do fundo, histórico do gestor e custos envolvidos permanecem essenciais. Redes sociais podem ser o ponto de partida, mas decisões de investimento devem ser tomadas com base em informações completas e, quando necessário, orientação profissional qualificada.
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