Fundos multimercados recuam até 5% nos primeiros dias de março sob impacto do conflito no Oriente Médio

A intensificação da guerra envolvendo o Irã provocou forte turbulência nos mercados e atingiu em cheio os fundos multimercados brasileiros. Nos quatro primeiros dias úteis de março, as cotas desses veículos de investimento caíram até 5%, revertendo parte dos ganhos registrados até fevereiro.

Maiores quedas

Levantamento da Economática com 90 fundos das categorias Macro e Dinâmicos mostra que 74 registraram perda no período analisado. Entre os recuos mais expressivos estão:

• Kapitalo Zeta Merídia – patrimônio de R$ 4,94 bilhões; -5,00% em março, +3,65% no ano.
• Itaú Vértice Fundamental – R$ 524,5 milhões; -4,43% em março, -1,90% no ano.
• Kapitalo Apollo FI – R$ 1,33 bilhão; -3,92% em março, +1,52% no ano.
• Ibiuna Hedge Master – R$ 3,04 bilhões; -3,88% em março, +3,25% no ano.
• Kapitalo K10 Master – R$ 7,99 bilhões; -3,74% em março, +1,84% no ano.

Entre os fundos com patrimônio superior a R$ 500 milhões, as perdas ficaram, em média, próximas de 3% no mês, mas a maioria ainda exibe rentabilidade positiva em 2024, considerando dados até 5 de março.

Posicionamento de mercado

O economista e gestor Dan Kawa observa que gestores locais e estrangeiros entraram no período de conflito com posições otimistas: comprados em Ibovespa, aplicados em juros no Brasil e nos Estados Unidos e vendidos em dólar. A piora simultânea da bolsa, a alta das taxas e a valorização do dólar intensificaram o impacto negativo.

Kawa ressalta que choques geopolíticos costumam ter efeitos limitados no tempo. Em episódios similares, petróleo e ouro sobem, Treasuries se valorizam e bolsas corrigem, em média, 6% em poucas semanas, abrindo espaço para oportunidades de compra.

Ajustes nas carteiras

O fundo Verde informou em relatório de fevereiro que aumentou a exposição à bolsa brasileira após as quedas recentes. A gestora manteve apostas em juro real no mercado doméstico e posição comprada em real contra o dólar, avaliando que o conflito tende a ser de curta duração.

Para Reinaldo Le Grazie, ex-diretor do Banco Central e sócio da Panamby Capital, o ano ainda deve ser favorável aos multimercados, apesar do choque inesperado de março.

Thiago Calestine, economista da Dom Investimentos, lembra que as maiores perdas concentram-se nos fundos com perfil mais arrojado. Segundo ele, alguns gestores podem reduzir risco para conter a volatilidade, e parte dos cotistas pode migrar para aplicações referenciadas no CDI, que oferecem liquidez diária e menor oscilação.

Calestine orienta o investidor a entender a estratégia do fundo antes de resgatar recursos, avaliando se a queda decorre de uma leitura equivocada de cenário ou de uma posição proporcionalmente elevada.

Até que haja maior clareza sobre a duração do conflito e seus reflexos no mercado de petróleo, analistas recomendam cautela ao tomar decisões de entrada ou saída nesses produtos.

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