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O primeiro semestre de 2026 terminou com o Ibovespa acumulando alta de 6,76%, aos 171 mil pontos. Apesar do avanço, o índice recuou 13% em relação ao pico de 197 mil pontos registrado em abril. A correção derrubou a principal métrica de valuation da Bolsa: o preço sobre lucro (P/L) caiu do patamar de 12 vezes para 8-9 vezes, nível considerado convidativo pelos estrategistas do Santander.
Grande parte da escalada até abril veio do capital estrangeiro, que buscou no Brasil um refúgio em meio ao aumento da incerteza global, especialmente nos Estados Unidos. O mesmo fluxo, porém, saiu com rapidez quando o humor lá fora melhorou. Para o investidor iniciante, o episódio lembra que a Bolsa brasileira ainda depende bastante do apetite internacional, fator que costuma ampliar a volatilidade.
O P/L compara o preço das ações com o lucro por ação projetado para os próximos 12 meses. Um múltiplo mais baixo indica que, na média, o investidor paga menos por cada real de lucro da empresa. Historicamente, a B3 costuma negociar perto de 11-12 vezes. A volta para 8-9 vezes sugere desconto, mas não garante valorização rápida: múltiplos podem permanecer baixos por bastante tempo se o risco continuar alto.
Os estrategistas do Santander lembram que, embora a renda fixa esteja pagando bem hoje, os juros devem cair em algum momento do ciclo. Investidores dispostos a suportar as oscilações da Bolsa até lá podem se beneficiar de preços mais baixos agora.
Segundo Lucas Carvalho e Arley Matos da Silva Júnior, a seleção de ações precisa ir além do indicador Ibovespa. O foco está em companhias que:
Esse perfil tende a oferecer maior resiliência em um cenário de juros altos, porque empresas menos alavancadas sofrem menos com o custo da dívida.
Imagem: Renan Dantas
A enxurrada de IPOs ligados à inteligência artificial em Wall Street vem drenando recursos globais — inclusive do Brasil. Para capturar esse movimento, o Santander elevou a exposição a Bolsa internacional em seus portfólios. Para o investidor local, o recado é que a disputa por capital está mais acirrada: países emergentes precisam oferecer prêmio maior para atrair dólares.
O recente acordo entre Estados Unidos e Irã ajudou a derrubar o barril para a faixa de US$ 70, nível pré-guerra no Oriente Médio. Preços menores da commodity podem aliviar índices de inflação, fator crucial para a trajetória dos juros globais e, por tabela, para o fluxo de capital destinado à B3.
Em resumo, a queda recente devolveu preços atrativos a vários papéis do Ibovespa, mas o cenário segue desafiador. Para os estrategistas do Santander, a Bolsa segue uma alternativa válida apenas para quem tolera riscos e entende que o retorno pode levar tempo para aparecer.
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