Ibovespa sofre 8ª semana seguida de queda e vive pior série desde o Plano Real

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções1 hora atrás7 Visualizações

O Ibovespa encerrou a semana com baixa acumulada de 2,74% nos últimos quatro pregões e completou oito quedas semanais consecutivas, a pior série desde a implantação do Plano Real, em 1994. No período de dois meses, a retração alcança 14,34%, corroendo parte dos ganhos obtidos no início do ano, quando o índice cravou a máxima histórica nominal de 198 mil pontos em 14 de abril.

Fuga de capital estrangeiro muda o humor

A principal explicação para a virada de sentimento é a retirada de R$ 14,91 bilhões por investidores estrangeiros em maio, maior saída mensal desde março de 2020, auge das incertezas com a Covid-19. Apesar de o fluxo externo ainda exibir saldo positivo de R$ 41,6 bilhões em 2026, a reversão recente ajuda a entender por que o Ibovespa passou a andar na contramão de outros mercados emergentes.

  • Rotação para tecnologia: recursos migraram para o chamado “trade de inteligência artificial”, beneficiando bolsas como a de Taiwan (+16% em maio) e o KOSPI, da Coreia do Sul (+26%).
  • Descolamento de ETFs: o EWZ, fundo negociado em Nova York que replica ações brasileiras, perdeu terreno frente ao EEM, que reúne vários emergentes e captou parte desse fluxo em direção à Ásia.

Juros voltam ao centro do debate

Enquanto as bolsas asiáticas surfam a demanda por semicondutores, o investidor que olha para o Brasil voltou a colocar a curva de juros sob lupa. A expectativa de inflação mais resistente levou o mercado a precificar a Selic – taxa básica definida pelo Banco Central – estável em 14,50% ao ano na reunião do Copom de 17 de junho, com probabilidade de 68% segundo os negócios de DI futuros.

  • Juros mais altos elevam o custo de oportunidade de carregar ações, favorecendo aplicações atreladas ao CDI e ao Tesouro Direto.
  • Nos Estados Unidos, dados fortes de emprego reforçam a chance de nova alta nos Fed Funds no segundo semestre, pressionando o dólar e, por tabela, as moedas emergentes.

Eleições e comércio exterior ampliam a volatilidade

O noticiário político também entrou no radar. O vazamento de áudios envolvendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master abriu dúvidas sobre a viabilidade de sua candidatura, vista por parte do mercado como opção de continuidade da agenda pró-negócios.

No cenário internacional, a Casa Branca anunciou intenção de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ao fim de uma investigação de práticas consideradas desleais e sinalizou sobretaxa adicional de 12,5% a outros 60 países, inclusive o Brasil. Medidas desse tipo podem encarecer exportações e afetar empresas de commodities listadas na B3.

Perdas se concentram nos pesos-pesados

Desde a máxima de abril, as companhias do Ibovespa perderam R$ 778 bilhões em valor de mercado. Os dois maiores tombos ocorreram em:

  • Petrobras (PETR3; PETR4): –R$ 85 bilhões. A estatal representa cerca de 12% da carteira do índice; logo, oscilações na companhia têm efeito direto sobre o impulso — ou o freio — do Ibovespa.
  • Itaú Unibanco (ITUB4): –R$ 78,6 bilhões, segundo levantamento da Alos Ayta.

A despeito dessas perdas, o Ibovespa ainda acumula alta de 4,90% em 2026, lembrando que comparações ano a ano podem mascarar movimentos bruscos no curto prazo.

O que observar daqui para a frente

  • Próxima reunião do Copom: a decisão sobre a Selic será chave para calibrar o apetite ao risco local. Juros estáveis por tempo maior podem prolongar a preferência por renda fixa.
  • Dólar e inflação: novas pressões cambiais ou choques de preços podem forçar revisões de cenário e influenciar tanto a Bolsa quanto títulos atrelados ao IPCA.
  • Calendário eleitoral: à medida que as candidaturas se consolidarem, a volatilidade típica do “trade eleitoral” tende a aumentar — fator relevante para quem opera no curto prazo.
  • Clima de comércio global: definições sobre tarifas dos EUA ao Brasil e tensões geopolíticas podem afetar exportadoras de commodities e o real.

Para o investidor que está começando, compreender como variáveis externas (fluxo estrangeiro e juros globais) se somam a fatores internos (Selic, política e câmbio) ajuda a evitar decisões baseadas apenas em movimentos de preço. A sequência de oito semanas de queda sinaliza que o mercado local segue sensível a mudanças de humor global e doméstico — e reforça a importância de acompanhar não só o desempenho do índice, mas também os vetores que o guiam.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...