BNP Paribas prevê três altas seguidas dos juros nos EUA a partir de dezembro

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro1 hora atrás7 Visualizações

O BNP Paribas alterou sua projeção para a política monetária norte-americana e agora espera três elevações consecutivas dos juros básicos dos Estados Unidos a partir de dezembro. A revisão veio depois de o relatório de emprego (“payroll”) de maio mostrar a criação de 172 mil vagas, bem acima da previsão de 80 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,3%.

Por que o payroll muda o jogo

O payroll é divulgado mensalmente pelo Departamento do Trabalho dos EUA e reúne dados de emprego no setor privado e público. Ele funciona como um termômetro da atividade econômica: quando a geração de vagas surpreende para cima, indica aquecimento, o que pode manter a inflação pressionada.

Segundo o BNP, o resultado reforça a leitura de que a economia segue “notavelmente estável” e de que a inflação, hoje próxima de 4%, continua distante da meta de 2% do Federal Reserve (Fed). Por isso, o banco francês avalia que a autoridade monetária precisará apertar novamente as condições financeiras para resfriar a demanda.

O que muda na trajetória dos juros

  • Três cortes de precaução revertidos: no fim do ano passado, o Fed realizou reduções preventivas que levaram a taxa dos Fed Funds para a faixa de 4,50%-4,75% ao ano. O BNP agora calcula que esses cortes serão desfeitos em reuniões sequenciais, começando em dezembro.
  • Postura “hawkish”: o termo, comum no jargão de mercado, descreve bancos centrais mais preocupados com a inflação do que com o crescimento. O BNP já era uma das casas mais conservadoras na expectativa de política monetária antes mesmo da recente alta das tensões geopolíticas.
  • Contraste com o mercado: ferramentas de aferição de expectativas, como o FedWatch do CME Group, indicam cerca de 71% de probabilidade de ao menos uma alta de juros até o fim do ano, mas a mediana dos contratos aponta para apenas duas elevações até julho do ano que vem. O BNP está, portanto, mais agressivo que o consenso.

Efeitos práticos para o investidor brasileiro

  • Dólar: juros americanos mais altos tendem a valorizar a moeda norte-americana, pois títulos públicos dos EUA pagam mais. Isso pode aumentar a volatilidade do câmbio e pressionar empresas brasileiras com custos em dólar.
  • Bolsa: ações de setores de crescimento, que dependem de capital barato, costumam sofrer em ambientes de aperto monetário global. Já companhias mais ligadas a commodities, que geram receita em dólar, podem ter algum alívio.
  • Renda fixa doméstica: se o fluxo para os EUA aumentar, taxas dos Títulos Públicos brasileiros (Tesouro Direto) e do CDI podem subir para manter o país atrativo, influenciando decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic.
  • Criptomoedas: historicamente, períodos de juros globais altos reduzem a liquidez destinada a ativos de maior risco, o que pode gerar maior oscilação no mercado de criptoativos.

Perspectivas de crescimento e inflação nos EUA

O BNP mantém um cenário “construtivo” para a economia norte-americana, sugerindo que o PIB continuará avançando, sustentado por estímulos fiscais ainda vigentes e condições de crédito que, apesar de menos favoráveis, seguem acomodativas. O banco projeta taxa de desemprego em 4% no fim do ano e vê a inflação acima da meta durante grande parte do período.

Para a instituição, o maior risco a esse quadro vem justamente de um ciclo de aperto mais forte do Fed – que poderia desacelerar a atividade – além das incertezas geopolíticas.

O que acompanhar daqui para a frente

  • Próximos indicadores: dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), além de novas leituras do payroll, serão cruciais para confirmar se a economia “aguenta” juros mais altos.
  • Comunicação do Fed: discursos de dirigentes e atas das reuniões darão pistas sobre o ritmo e a intensidade do ajuste.
  • Reação dos mercados emergentes: a sensibilidade de moedas e juros locais às expectativas de aperto nos EUA continuará no radar de quem investe em renda fixa ou em ações brasileiras.

Para investidores iniciantes, o principal recado é entender que mudanças na política monetária dos EUA costumam repercutir globalmente. A diversificação de portfólio e a atenção ao próprio perfil de risco ajudam a lidar com eventuais oscilações provocadas por decisões do Fed.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...