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Depois de quatro semanas no vermelho, o Ibovespa (IBOV) voltou a subir e fechou o período com ganho de 1,25%, aos 171.132 pontos. O movimento foi impulsionado por notícias corporativas relevantes, arrefecimento das tensões no Oriente Médio e dados de inflação abaixo do esperado.
A trégua nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã derrubou o preço do petróleo Brent em 6,2% no acumulado da semana, fator que costuma diminuir a percepção de risco global. A queda das commodities energéticas, somada ao fluxo para mercados emergentes, colaborou para o recuo de 1,86% do dólar, que encerrou a R$ 5,06.
Para o investidor iniciante, um dólar mais baixo tende a segurar parte da pressão inflacionária sobre produtos importados e pode favorecer empresas com custos atrelados à moeda norte-americana, mas também reduz a receita de exportadoras.
Outro ponto de atenção foi a venda de 49% do capital da Copasa (CSMG3) pelo governo de Minas Gerais. As ações saíram a R$ 49,30, acima do piso fixado pelo Tribunal de Contas estadual, gerando a segunda maior operação de saneamento em Bolsa, atrás apenas da Sabesp em 2024. O ingresso de recursos reforça a tese de avanço do setor, mas não altera, por si só, a dinâmica de preços para o consumidor final.
O IPCA de maio subiu 0,58%, abaixo do 0,67% visto em abril. Ainda assim, a taxa em 12 meses ficou em 4,72%, acima do centro da meta de 3% do Banco Central. O mercado atribui essa diferença principalmente a serviços e alimentos. Com o índice distante do objetivo, 68% dos contratos de juros futuros já precificam manutenção da Selic em 14,50% na reunião do Copom de 17 de junho.
Para quem investe em renda fixa pós-fixada (CDI ou Tesouro Selic), juros elevados significam rendimentos nominais mais robustos. Por outro lado, taxas altas encarecem o crédito e podem limitar o crescimento de empresas listadas.
A construtora Cury (CURY3) liderou os ganhos, subindo 11,88% após o Santander elevar o preço-alvo dos papéis de R$ 49 para R$ 52 e classificá-la como sua principal escolha no setor. O banco citou forte ritmo de lançamentos, repasses de preços e ganho de escala nas despesas de vendas e administrativas.
Imagem: Liliane de Lima
A performance positiva das construtoras ocorre mesmo com a Selic elevada porque parte do público-alvo dessas empresas utiliza financiamentos lastreados no FGTS ou linhas atreladas à poupança, que sofrem menos impacto das taxas de curto prazo.
Na ponta negativa, Natura (NATU3) recuou 11,93% e devolveu parte da valorização acumulada em 2026 (ainda positiva em 14,9%). O movimento refletiu realização de lucros e preocupações setoriais com consumo das famílias em um ambiente de juros historicamente altos.
No exterior, a ferramenta FedWatch aponta 98,6% de probabilidade de manutenção dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% na próxima quarta-feira (17). A sinalização de estabilidade ajuda a reduzir a volatilidade cambial e, por consequência, dá suporte para ativos de risco nos mercados emergentes.
A semana reforçou a importância de acompanhar não só o noticiário local, mas também as variáveis globais — petróleo, juros norte-americanos e tensão geopolítica. Para o investidor iniciante, entender como esses fatores se conectam ao desempenho do Ibovespa, da moeda e dos setores ajuda a tomar decisões mais informadas sobre alocação entre renda fixa e variável.
Na agenda próxima, ganham destaque a decisão do Copom, a ata do FOMC e novos dados de atividade, que podem redefinir expectativas para inflação, câmbio e curvas de juros.
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