O Ibovespa encerrou a última semana de maio em baixa de 1,37%, aos 173.787 pontos, acumulando sete semanas consecutivas de perdas — sequência que não se via desde 2004. No mesmo período, o dólar à vista avançou 0,29%, para R$ 5,04.
Por que o índice não reage
Duas frentes mantiveram os investidores na defensiva:
- Inflação: o IPCA-15 subiu 0,62% em maio e acumula 4,64% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%. A leitura reforçou a percepção de que o Banco Central pode adotar postura mais cautelosa na política de juros.
- Geopolítica e risco político: tensões no Oriente Médio e incertezas no cenário doméstico – incluindo a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas pelos EUA – elevaram o prêmio de risco.
Inflação pressiona debate sobre juros
Para quem acompanha o mercado, a prévia da inflação não preocupa apenas pelo número “cheio”. Analistas destacaram que a composição do índice veio pior do que o esperado, indicando disseminação de altas de preços. Em um ambiente de juros já elevados, qualquer surpresa inflacionária reduz espaço para cortes adicionais, o que impacta diretamente:
- Renda variável: taxas mais altas encarecem o custo de capital das empresas e podem limitar o potencial de valorização das ações.
- Renda fixa: títulos indexados ao CDI ou ao Tesouro Selic tendem a permanecer atrativos enquanto o cenário de inflação não converge para a meta.
PIB positivo, mas sem euforia
O Produto Interno Bruto cresceu 1,1% no primeiro trimestre, levemente acima do consenso (1,0%). Na comparação anual, o avanço foi de 1,8%. O dado sinaliza resiliência da economia, porém não foi suficiente para mudar o humor do mercado diante das demais pressões.
Blue chips sobem? Só algumas
Entre as 87 ações do índice, poucas escaparam do tombo. Na semana, a Usiminas (USIM5) liderou os ganhos após revisões positivas de resultados. Veja os extremos:
Pontas positivas
- Usiminas (USIM5): +7,05%
- Cyrela (CYRE3): +5,98%
- Totvs (TOTS3): +5,02%
Pontas negativas
- Braskem (BRKM5): –12,61%
- Cosan (CSAN3): –11,42%
- Ultrapar (UGPA3): –9,86%
O que observar daqui para frente
- Inflação e Selic: novos dados de preços serão determinantes para as próximas decisões do Copom. Investidores iniciantes devem acompanhar como isso afeta rendimentos de CDBs, Tesouro Direto e fundos.
- Dólar: a moeda ganhou força com a aversão a risco. Quem tem gastos em moeda estrangeira ou planeja viagens deve monitorar a cotação.
- Geopolítica: avanços ou retrocessos nas negociações entre EUA e Irã podem mexer com preços de petróleo e, por tabela, com ações do setor de energia listadas na B3.
- Noticiário corporativo: revisões de lucro, distribuição de dividendos e eventuais mudanças regulatórias podem gerar movimentos pontuais mesmo em um mercado mais cauteloso.
Em um ambiente de volatilidade prolongada, a diversificação continua sendo ferramenta essencial para quem está começando a investir e busca diluir riscos sem depender de apenas um ativo ou classe.