O custo para financiar casas, carros e compras no cartão de crédito continua elevado nos Estados Unidos, reflexo direto da política de juros do Federal Reserve. Mesmo com a desaceleração da inflação, as taxas ainda altas aumentam a parcela mensal dos empréstimos e mantêm a sensação de que a vida segue cara para grande parte das famílias.
O impacto é mais visível nos dois maiores gastos do orçamento doméstico. Imóveis e veículos custam valores semelhantes aos de um ano atrás, mas o encarecimento do financiamento pode acrescentar centenas de dólares às prestações, tornando o compromisso difícil de honrar.
Esse cenário virou obstáculo para o presidente Donald Trump, que prometeu devolver a sensação de acessibilidade ao consumidor. Às vésperas do novo ciclo eleitoral de meio de mandato, cresce o ceticismo do eleitorado sobre a efetividade dessa promessa.
A discussão ganhará força nesta terça-feira (data não especificada no texto original), quando Kevin Warsh, nome indicado por Trump para presidir o Fed, será sabatinado pelo Senado. A sessão ocorre em meio a tensões institucionais que envolvem o atual presidente do banco central, Jerome Powell.
O Departamento de Justiça conduz uma investigação criminal que envolve Powell. Por causa disso, o senador Thom Tillis (republicano da Carolina do Norte) já avisou que pode votar contra Warsh na comissão, a menos que o inquérito seja encerrado.
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Além da pressão política, os custos de energia voltaram a subir em razão das tensões com o Irã, reacendendo o temor de nova alta inflacionária. Caso o petróleo permaneça caro, dirigentes do Fed podem optar por adiar cortes de juros, prolongando o período de crédito caro para consumidores e empresas.
Jerome Powell completa oito anos à frente do Federal Reserve no próximo mês. Enquanto isso, Trump intensifica críticas ao banco central por não reduzir as taxas com a rapidez que ele considera necessária, ampliando o atrito em torno da sucessão no comando da instituição.
O desfecho da sabatina e as decisões sobre juros nas próximas reuniões do Fed serão determinantes para saber quando – e se – o crédito voltará a ficar mais barato para os americanos.