Inflação nos EUA empurra 1 em cada 4 adultos ao rotativo do cartão para comprar comida

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios3 horas atrás12 Visualizações

A combinação de inflação persistente e renda comprimida transformou o cartão de crédito em item de primeira necessidade para muitas famílias norte-americanas. Levantamento do Urban Institute indica que os gastos com alimentos subiram 32% desde 2020, empurrando mais consumidores para o rotativo.

Inflação alimentar continua pesando no bolso

Alimentos já eram um dos maiores itens do orçamento familiar e, agora, ficaram ainda mais caros. A projeção da economista-chefe Dana M. Peterson, da Conference Board, é que a meta de 2% de inflação do Federal Reserve só seja atingida em 2028, prolongando a pressão sobre supermercados.

Raio-X do estudo

  • 63,2% dos adultos entre 18 e 64 anos pagaram compras de mercado com cartão em 2024.
  • Mais de um quarto desse grupo não conseguiu quitar o valor integral depois.
  • A fatia que deixou de pagar nem o mínimo subiu de 7,1% em 2023 para 8,7% em 2025.
  • Planos “buy now, pay later” foram usados por 8,9% dos adultos; 34,8% atrasaram parcela.
  • Classe média (200% a 400% da linha de pobreza) foi a mais afetada: inadimplência no cartão passou de 9,3% para 12,3% no mesmo período.

Rotativo mais caro em ambiente de juros altos

Nos EUA, a taxa básica está no maior nível em 20 anos. Isso torna o crédito rotativo — equivalente ao usado no Brasil quando o cliente paga menos que o total da fatura — ainda mais custoso. O resultado é um círculo vicioso: juros elevados consomem renda, a pessoa volta a usar o cartão e acumula dívida.

Impactos para quem investe do Brasil

  • Dólar e juros: Se a inflação seguir resistente, o Fed tende a manter taxas elevadas por mais tempo, o que costuma fortalecer o dólar. Isso pode mexer com ativos atrelados à moeda e com empresas exportadoras listadas na B3.
  • Setor de consumo americano: Varejistas e supermercados dos EUA, muitas vezes parte de fundos globais disponíveis a investidores brasileiros, podem sentir margens pressionadas por gasto maior com juros dos clientes.
  • Empresas de cartões: Aumento da inadimplência pode exigir provisões maiores, afetando lucros e dividendos de emissores presentes em ETFs internacionais.
  • Renda fixa local: Juros altos lá fora mantêm fluxo de capitais seletivo, influenciando o prêmio exigido pelos investidores em títulos do Tesouro Direto e no CDI.

O que observar nos próximos meses

Os números de inflação (CPI e PCE) e os balanços dos grandes bancos norte-americanos serão termômetro da saúde do consumidor. Para o investidor brasileiro, acompanhar esses dados ajuda a entender movimentos do câmbio, decisões do Banco Central e o humor da Bolsa.

Inflação nos EUA empurra 1 em cada 4 adultos ao rotativo do cartão para comprar comida - Imagem do artigo original

Imagem: Kristen Altus FOXBusiness

Enquanto o alívio nos preços não chega às gôndolas, o uso recorrente do cartão para itens básicos segue como sinal de alerta sobre a resiliência — ou falta dela — da renda das famílias nos Estados Unidos.

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