O Ibovespa encerrou a semana com queda de 0,61%, aos 176.209,61 pontos, completando seis semanas consecutivas de recuo – a pior sequência desde 2018. Para o investidor iniciante, o dado chama atenção porque reflete uma combinação de fatores locais e globais que vêm drenando apetite por risco.
No exterior, persistem as incertezas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã para cessar-fogo no Oriente Médio. O Brent, referência do mercado de petróleo, ficou próximo de US$ 110 o barril. Quando a energia sobe, aumenta o temor de inflação nas grandes economias. Isso eleva a expectativa de que os bancos centrais mantenham juros altos por mais tempo.
Nos EUA, operadores já precificam a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) voltar a elevar a taxa básica em outubro. A posse de Kevin Warsh na presidência do Fed reforçou a discussão, ainda que Jerome Powell continue no conselho até 2028. Para quem acompanha renda variável, qualquer sinal de juros maiores lá fora costuma pressionar Bolsas em mercados emergentes como o Brasil.
No plano interno, a cena política ganhou destaque com a nova pesquisa Datafolha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nove pontos sobre Flávio Bolsonaro após o episódio envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”. Notícias desse tipo aumentam a volatilidade porque investidores tentam antecipar o impacto de possíveis mudanças no Executivo em 2027.
Além disso, o governo ampliou de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de verbas discricionárias para cumprir o teto de gastos. Apesar de tecnicamente necessário para respeitar a regra fiscal, o ajuste sinaliza menos recursos para investimentos públicos, algo que pode desacelerar a atividade e, por tabela, o lucro de várias empresas listadas.
Imagem: Liliane de Lima
O dólar à vista fechou a R$ 5,028, baixa de 0,78% na semana. Mesmo em queda, a moeda continua num patamar que pressiona companhias com alto custo em moeda estrangeira ou dívidas atreladas ao câmbio. Para quem investe em títulos atrelados ao dólar, o movimento oferece alívio momentâneo, mas não afasta a percepção de risco.
Para quem está começando a investir, a sequência de seis semanas de queda mostra a importância de diversificar a carteira e entender como fatores macroeconômicos — petróleo, juros, política e câmbio — interagem com o desempenho dos ativos.
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