As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta nesta terça-feira (19) acompanhando o salto dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e o crescimento do chamado “risco Flávio” no mercado doméstico.
Nos EUA, o yield dos Treasuries de dez anos – referência global para custo de capital – subiu para 4,663% e tocou 4,687% durante o pregão, maior nível desde janeiro de 2025. Já o papel de 30 anos bateu 5,198%, patamar não visto desde 2007.
Quando os Treasuries escalam, o investimento em renda fixa americana fica mais atraente, o que costuma pressionar ativos de mercados emergentes. Para compensar, o Brasil precisa oferecer prêmios maiores em seus títulos, o que se reflete diretamente na curva de DIs.
O avanço concentrou-se nos vértices médios e longos, indicando que o mercado exige prêmio extra para prazos maiores, justamente aqueles mais sensíveis a mudanças de cenário de inflação e política monetária.
Além do ambiente externo, investidores monitoraram o desgaste eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de áudio com o controlador do Banco Master. A primeira pesquisa AtlasIntel/Bloomberg depois do episódio mostrou queda de 6 pontos percentuais na intenção de voto do parlamentar.
Imagem: Liliane de Lima
O ruído político aumentou a percepção de incerteza sobre o pleito presidencial de 2026, elevando o chamado risk premium: quanto maior o risco percebido, mais caro fica o financiamento do governo e das empresas.
O mercado segue de olho em:
Enquanto o cenário permanecer incerto, a tendência é de curva de juros pressionada e sensibilidade elevada a qualquer sinal novo vindo de Brasília ou de Washington.
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