Taxas de juros futuros recuam após produção industrial decepcionar e feriado nos EUA enxugar liquidez

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções8 minutos atrás10 Visualizações

As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a sexta-feira (3) em queda, movimento visto como ajuste após a forte alta da véspera e motivado por dados mais fracos da indústria brasileira.

O que aconteceu com a curva

  • DI jan/2028: recuou para 14,105%, baixa de 13 pontos-base.
  • DI jan/2035: caiu a 14,41%, recuo de 8 pontos-base.
  • No acumulado da semana, a ponta intermediária recuou 5 p.b., enquanto a longa avançou 8 p.b., produzindo leve inclinação.

Com o mercado norte-americano fechado pelo feriado antecipado de 4 de Julho, os Treasuries — referência global de juros — não negociaram. A menor liquidez externa reduziu a volatilidade local, permitindo que o foco se voltasse para os indicadores domésticos.

Produção industrial surpreende para baixo

O IBGE apontou queda de 0,2% na produção industrial de maio frente a abril e avanço tímido de 0,2% na comparação anual. As projeções de mercado indicavam altas de 0,3% e 1,3%, respectivamente.

O dado reforçou a percepção de arrefecimento da atividade e, por consequência, a expectativa de que o Banco Central possa promover novo corte de 0,25 ponto-percentual na Selic, atualmente em 14,25%, já na reunião de agosto.

Por que o investidor deve acompanhar os DIs

Os contratos de DI refletem a expectativa de mercado para o CDI — taxa que anda de mãos dadas com a Selic. Quando as taxas futuras caem:

  • Títulos pós-fixados (CDI+) tendem a embutir retorno projetado menor para quem ainda vai aplicar.
  • Títulos prefixados ou atrelados à inflação podem se valorizar no mark-to-market, beneficiando quem já possui posições.
  • A curva mais inclinada sinaliza prêmio maior nos prazos longos, mas também incerteza sobre o ritmo de queda dos juros.

Ligação com o cenário internacional

Na véspera, um payroll americano mais fraco aliviou a pressão por alta de juros pelo Federal Reserve, derrubando os rendimentos dos Treasuries. Mesmo assim, a curva brasileira havia fechado em alta devido a leilão robusto de títulos do Tesouro Nacional e fatores políticos. O ajuste desta sexta devolveu parte desse movimento.

O que observar adiante

  • Próxima reunião do Copom, em agosto, quando será debatido eventual novo corte da Selic.
  • Dados de atividade e inflação que possam alterar a trajetória de juros.
  • Retorno dos Treasuries na segunda-feira, retomando a correlação entre as curvas brasileira e norte-americana.

Para o investidor iniciante, acompanhar a curva de DIs ajuda a entender por que preços de títulos públicos e privados oscilam antes mesmo de a Selic mudar. Já o investidor de prazo mais longo deve ficar atento à inclinação da curva, que revela quanto o mercado exige de prêmio para carregar risco Brasil nos próximos anos.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...